De volta à cena política, Delcídio reage à suspeita de compra de votos

De volta à cena política, Delcídio reage à suspeita de compra de votos

‘Flagrante armado’, afirma o candidato ao Senado pelo PTC de Mato Grosso do Sul sobre prisão de professor em Campo Grande que presta serviços para sua campanha

Julia Affonso

04 Outubro 2018 | 12h52

Senador petista Delcídio Amaral. FOTO: Ueslei Marcelino/REUTERS

De volta à cena política, após protagonizar emblemático capítulo da Lava Jato – preso em flagrante em 2015 por ordem do Supremo, ele foi cassado e tornou-se delator -, o ex-senador Delcídio Amaral (PTC/MS), que busca retorno à Casa nestas eleições, reagiu à suspeita de compra de votos por sua campanha. Nesta quarta, 3, a Polícia Federal prendeu um professor de 35 anos em flagrante em Campo Grande que presta serviços para

A PF informou que, em depoimento, o professor afirmou que prestava serviços para a campanha de Delcídio. O docente foi detido em frente à loja de Autopeças Multilatas, no bairro Vila Carvalho, após supostamente efetuar pagamento a eleitores para adesivar carros. Além dos adesivos, os eleitores recebiam orientação em quem votar e uma ‘cola’ eleitoral com os números dos candidatos favorecidos.

Delcídio afirmou que sua campanha ‘está sendo feita por amigos voluntários e quase nada de dinheiro, muito menos para uma idiotice dessas’.

“Flagrante armado no desespero e no vale tudo de candidatos que vão perder”, declarou o ex-senador.

Segundo a PF, foram apreendidos com o professor R$ 800, material de campanha e lista de eleitores que já teriam recebido valores pela adesivagem e compromisso de voto no ex-senador.

Delcídio foi cassado em maio de 2016 por quebra de decoro. Na época, ele era acusado de obstruir a investigação da Operação Lava Jato. Tornou-se delator da investigação. Em julho deste ano, a Justiça Federal absolveu Delcídio, o ex-presidente Lula e outros cinco da acusação de obstrução de Justiça.

O professor responderá pelo delito do artigo 299 do Código Eleitoral – corrupção eleitoral – e pode pegar até 4 anos de prisão, além de multa. A Polícia Federal informou que vai continuar as investigações e também o monitoramento de crimes envolvendo as eleições 2018.

COM A PALAVRA, DELCÍDIO AMARAL

A assessoria do ex-senador declarou. “Flagrante armado no desespero e no vale tudo de candidatos que vão perder para Delcídio. Essa campanha dele está sendo feita por amigos voluntários e quase nada de dinheiro, muito menos para uma idiotice dessas.”

COM A PALAVRA, O PTC-MS

NOTA OFICIAL

O Partido Trabalhista Cristão (PTC) não contratou e não irá contratar cabos eleitorais para campanha de Delcídio Amaral a senador e não permite, autoriza ou apoia qualquer iniciativa de seus simpatizantes fora dos limites da lei. A ação de suposto cabo eleitoral acusado de práticas ilícitas tem, portanto, características de armação política, o que deverá também ser investigado pelas autoridades a pedido do partido.

Campo Grande, 4 de outubro de 2018.

Cezar Renato Gazolla
Presidente PTC-MS