De Carla Zambelli para Sérgio Moro

De Carla Zambelli para Sérgio Moro

Leia carta aberta da deputada federal aliada de Jair Bolsonaro ao ex-ministro da Justiça e Segurança Pública que abandonou o governo acusando o presidente e tentar manter sob seu domínio a Polícia Federal

Luiz Vassallo e Fausto Macedo

25 de abril de 2020 | 14h21

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP). Foto: Dida Sampaio / Estadão

Em carta aberta, a deputada federal Carla Zambelli (PSL) afirmou que não tem ‘poder ou a função delegada pelo’ presidente Jair Bolsonaro ‘para negociar cargos no STF e o ex-ministro sabia bem deste fato’, em reação ao ex-ministro Sérgio Moro, da Justiça e Segurança Pública.

LEIA A CARTA:

Uma vez dito que: os 57 milhões de votos que Bolsonaro obteve não carregam qualquer apoio de Sérgio Moro, que sequer estava no jogo à época da campanha eleitoral;
que meu apoio não muda há anos em relação ao PR Jair Bolsonaro, e que assim permanecerei, leal:
Não se vazam conversas privativas. Principalmente quando há laços entre estas pessoas.
Eu sempre defendi os ideais tanto de Bolsonaro, como de Moro, por quem já fui presa e denunciada pela Polícia Federal, o que, inclusive, falo nos prints divulgados e no contexto geral da conversa.
A sugestão feita, ainda na quinta-feira (23), ao então ministro era a de que eu pudesse conversar com o presidente da República para tentar sugerir o nome de Sérgio Moro para o STF, uma vez que milhões de brasileiros, inclusive eu, no passado, já se posicionaram favoráveis nesse sentido, e ele nunca negou o interesse em ser indicado.
Ramage era um nome bem aceito pelo então ministro (publicamente dito no pronunciamento desta sexta – 24) e pelo presidente Jair Bolsonaro.
Seria a intenção de Sérgio Moro tentar me imputar injustamente um crime ao expor à Globo nossa conversa privada, sem o contexto no qual chegaram àquela fase da troca de mensagens, mesmo ele sabendo que não havia nada de ilícito no que conversamos?
Não existe raiva, mas decepção e mágoa, uma vez que, apesar de nunca ter pensado em deixar a base de apoio do Governo Federal, não se podia esconder a tristeza, nesta sexta, em não ter mais Sérgio Moro como ministro.
Registro que não tenho o poder ou a função delegada pelo PR para negociar cargos no STF e o ex-ministro sabia bem deste fato.
Fica o questionamento para um homem ao qual eu e meu marido tínhamos o maior respeito e admiração, tanto que foi nosso padrinho de casamento: Ex-ministro, a resposta que o Sr deu e o print foram friamente calculados para me expor depois?”

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