Dê asas a seu dinheiro: saiba como investir no exterior sem sair do Brasil

Dê asas a seu dinheiro: saiba como investir no exterior sem sair do Brasil

Walter Poladian*

04 de dezembro de 2020 | 04h45

Walter Poladian. FOTO: DIVULGAÇÃO

A palavra de ordem para quem deseja montar uma carteira de investimento é diversificação. Colocar o dinheiro em diferentes categorias, mesclando a segurança da renda fixa com a ousadia da renda variável, possibilita bons ganhos ao mesmo tempo que reduz os riscos de grandes perdas. A questão é que diversificar os ativos é apenas parte da estratégia. Uma tática que pode ser interessante é expandir a atuação para outros mercados, entre eles, investir no exterior.

É uma alternativa interessante para buscar novas oportunidades e reduzir o risco Brasil. Aqui, historicamente os investidores estão sujeitos a grandes variações na política econômica, juros, inflação e do dólar, por exemplo. Seja por cenário desfavorável, questões políticas ou crises internacionais, quando moedas fortes tendem a se valorizar frente a de países emergentes.

A diversificação de riscos pode vir justamente do exterior, mesclando investimentos nacionais com ativos de outros países. Agora ficou mais fácil. Por muito tempo, internacionalizar a carteira era encarado como estratégia complexa e trabalhosa, que necessitava de abertura de conta no exterior e exigia altos valores para investimentos. Contudo, o mundo mudou – e o mercado financeiro felizmente acompanhou as transformações. Hoje, existem opções interessantes que permitem aos brasileiros aproveitarem ativos lá fora sem precisar sair do país. Confira quatro alternativas para investir no exterior pelo Brasil:

1 – ETF

É a sigla para exchange traded fund, um fundo de índice negociado na bolsa de valores que replica determinados indicadores, inclusive do exterior. É o caso do ETF IVVB11, negociado na B3, que acompanha a performance do S&P 500 (que reúne as 500 empresas mais relevantes dos Estados Unidos) e tem rentabilidade atrelada ao dólar. É uma alternativa de investir em ações norte-americanas sem precisar enviar recursos ao exterior.

Os ETFs são administrados de forma passiva por uma gestora, e a negociação de suas cotas acontece durante o pregão da bolsa de valores no Brasil, como se fosse uma ação. Ou seja, é acessível pelo home broker de sua corretora. Lembrando que é um fundo de renda variável e possui riscos.

2 – Fundos de investimento

Uma vantagem de investir no exterior por meio de fundos de investimento é a simplicidade na operação. É importante conhecer as alternativas disponíveis, avaliar as estratégias e os objetivos e fazer o aporte. Entretanto, nem todo fundo é acessível. Alguns podem ser direcionados apenas a investidores qualificados, isto é, que possuem mais de R$ 1 milhão investidos ou são certificados para atuar como profissional do mercado financeiro.

3 – BDR

Sigla para brazilian depositary receipt. É um certificado que representa ações emitidas por empresas no exterior, mas o produto é negociado no pregão da bolsa brasileira. Essa opção estava disponível apenas para investidores qualificados até pouco tempo atrás, mas a Comissão de Valores Mobiliários já liberou para qualquer investidor. O lote mínimo para aquisição dos BDRs e ETFs também foi reduzido. Assim, ter uma carteira exposta a ações de grandes empresas mundiais – como Amazon, Google e Microsoft – sem precisar enviar recursos para fora do país ficou muito mais simples.

4 – COE

O certificado de operações estruturadas pode mesclar ativos de renda fixa e renda variável, por exemplo combinar títulos públicos e de crédito com estratégias em derivativos. E essa seleção de produtos pode incluir ativos no exterior. Esse tipo de investimento também pode oferecer capital protegido, ou seja, se o COE não atingir o resultado esperado, a pessoa recebe o mesmo dinheiro que aplicou. Mas é importante checar se a estratégia do COE está alinhada com seus objetivos e perfil de risco. Verificar também os custos embutidos que podem ser altos, além do vencimento, pois geralmente não há muita liquidez para resgate antecipado ou a instituição financeira pode cobrar multa nestes casos.

*Walter Poladian, CFP® é planejador financeiro e sócio-fundador da Fliper

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