Darwin e o futuro do trabalho

Dario Luiz Dias Paixão*

06 Maio 2018 | 04h00

Desde o lançamento do livro “The End of Work” (O Fim dos Empregos), de Jeremy Rifkin (1995), debatemos intensamente sobre o futuro do trabalho e como as tecnologias vão eliminar e substituir os postos de emprego de forma mais célere e otimizada. É visível que as inovações crescem em ritmo exponencial – e quem não as acompanha, se depara com o atraso. Não há dúvida de que precisamos nos atualizar, estar a par do que há de moderno no mundo digital e utilizar tais ferramentas para se sobressair no mercado de trabalho.

É só nos atentarmos para as pesquisas mais recentes e percebemos o quanto a realidade está mais próxima do que imaginamos. Até 2020, mais de 7 milhões de pessoas no mundo perderão o emprego para robôs, mas por outro lado, 65% das crianças – que estão entrando agora no Ensino Básico -, trabalharão em empregos que ainda não existem, segundo pesquisa atual do Fórum Econômico Mundial (WEF).

Muitos profissionais estão assustados com essas grandes mudanças. Mas não é preciso sobressalto, pois os empregos não deixarão de existir. É inequívoco de que as alterações surgidas na legislação trabalhista em relação à carga horária; autonomia dos colaboradores e home office, como padrão, prometem mobilizar os negócios, mas ainda há inúmeros cargos que serão mantidos – e atualizados. E melhor: tantos outros passarão a existir.

Artigo publicado na revista eletrônica MIT Sloan, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), corrobora que, embora as tecnologias possam eliminar alguns empregos, surgirão novas colocações. Segundo os especialistas, as inovações não substituem as antigas funções – por serem modernas, exigem habilidades e treinamentos sem precedentes. Mais especificamente, o estudo revela três novas categorias de trabalho: os Trainers, os Explainers e os Sustainers, ou seja, os que treinam, os que explicam e os que sustentam.

Essa primeira categoria de trabalho evidencia que o mundo corporativo precisará de pessoas que ensinem os sistemas de inteligência artificial a operar. Como padrão, ensinar aos chatbots (robôs de atendimento ao cliente) a terem mais empatia. Daí a necessidade de ensinar as sutilezas da comunicação humana – como o sarcasmo -, e que as relações entre a máquina e o humano proporcionem harmonia, ética e justiça. Assim, é bem provável que surjam novos cargos como “tutor de linguagem e significado de idioma”, “modelador de interação de máquina inteligente” e “instrutor de visão de mundo”, como sugere o estudo.

A segunda categoria de novos empregos poderá preencher a lacuna existente entre os tecnólogos e os gestores empresariais. Eles serão aqueles colaboradores que entenderão quando o sistema apresenta erro. Nessa categoria, poderão existir cargos como “designer de contexto”, “analista de transparências” e “estrategista de utilidade de inteligência artificial”, a título de exemplificação.

A última categoria de novos empregos pode garantir que os sistemas de inteligência artificial operem conforme o planejado. Esses bem que poderiam ser chamados de “especialista em automação”, “economista de automação” ou “gerente de relações de máquina”.

O desenvolvimento profissional está atrelado à ampliação tecnológica, assim, buscar a adaptação, torna-se essencial. Ora, aprimorar e desenvolver competências humanas no que de melhor existe em informações eletrônicas e bens de serviço, para que estejamos preparados para a existência desse novo formato de relações de trabalho, eis a tarefa desafiadora que se avizinha.

Como bem salientou Darwin, o pai da Teoria da Evolução, “não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se ajusta às mudanças”. O futuro está batendo à nossa porta. Sejamos otimistas para que possamos abri-la!

*Doutor em Turismo e coordenador-geral da Pós-Graduação da Universidade Positivo

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