Dados devem empoderar lideranças nas tomadas de decisão

Adriano Chemin*

13 de novembro de 2021 | 04h30

É um erro capital levantar teorias antes que se tenha dados, disse o mais célebre detetive da história da ficção, Sherlock Holmes. Hoje em dia, a máxima se torna ainda mais verdadeira, pois vivemos num mundo permeado por dados dos quais tentamos tirar sentido. No universo competitivo dos negócios, ter os melhores insights em tempo recorde é a diferença fundamental entre estar na dianteira dos avanços e ficar para trás.

A pesquisa Quality Conversations, realizada pela YouGov/Tableau com 1.977 lideranças do mundo e do Brasil, aponta que 89% dos líderes brasileiros acreditam que os dados ajudam as organizações a ter conversas de qualidade, pois reduzem incertezas e auxiliam a tomar decisões mais precisas, construindo confiança.

Em contextos imprevisíveis e adversos, como o da pandemia, contar com o auxílio dos dados para acompanhar taxas de contaminação, tornar estoques e logística mais eficientes ou alterar por completo os canais de vendas e as frentes de negócios tornou-se fundamental. Conforme a pesquisa apontou, 79% dos líderes brasileiros disseram que a pandemia de fato tornou a análise de dados mais crítica para a tomada de decisões.

Áreas como marketing, finanças, produção ou recursos humanos precisam desenvolver suas habilidades analíticas e usar métricas e painéis dinâmicos para tomar decisões coletivas informadas. A chegada dos dados no dia a dia de organizações de todos os portes não é nenhuma novidade, trata-se de uma revolução contínua.

Se considerarmos ainda as mudanças que se projetam no mundo – e no Brasil, por exemplo, com a chegada do 5G, trazendo mais velocidade, sistemas e dispositivos conectados, como a Internet das Coisas, produzindo cada vez mais dados e informações que precisam ser organizadas e lidas – fica evidente a necessidade de termos estruturas robustas para gerenciá-las com governança, inteligência e segurança.

Foi-se o tempo em que a construção de análise de dados era uma tarefa das equipes de TI e dos departamentos de analytics. A urgência pela informação obriga que esta tarefa seja realizada pela área que necessita tomar a decisão. É preciso portanto promover uma democratização dos dados nas empresas e, apenas a partir desse processo, criaremos uma cultura de dados. As lideranças brasileiras foram questionadas na pesquisa sobre a importância de que todos os departamentos de uma organização construam análises de dados e 96% responderam que isto é importante. Na média global da pesquisa, a grande maioria (93%) dos líderes estrangeiros também concorda com esta premissa.

Para lidar com essa realidade, não apenas os especialistas em análise de dados, mas profissionais de todos os departamentos de uma empresa e, sobretudo, as suas lideranças, precisam de ferramentas cada vez mais intuitivas e acessíveis, que lhes ajudem a ver e compreender os dados sem a necessidade de conhecimento técnico em programação e comandos complexos. Assim, os dados são usados para guiar conversas e tomadas de decisão em tempo real.

Decisões de negócio baseadas em dados possibilitam ganhos como otimização de atividades, automação de processos manuais, aumento da produtividade e vendas. Mas para chegar neste patamar de resultados, muitas empresas terão que passar por uma grande transformação. Isto exige que o alcance dos dados vá além das equipes analíticas rumo às áreas de negócios. Para isso acontecer, é preciso de apoio do comitê executivo, planos concretos e o entendimento de que não é uma mudança que ocorre de um dia para o outro.

A questão não é sobre obter dados ou ter acesso a eles, mas garantir que qualquer pessoa dentro da organização tenha capacidade de extrair valor desses dados. Frequentemente, esse valor não vem das informações em si, e nem dos insights derivados delas, mas sim das decisões que são tomadas a partir deles. Quando trabalhados de modo adequado e com governança, os dados empoderam as lideranças a ter uma visão mais completa sobre o cenário para que possam tomar melhores decisões de negócios.

*Adriano Chemin, vice-presidente Latam da Tableau

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