Da novela mortal chamada de covid Brasil e suas vítimas, e o Parlamento Europeu

Da novela mortal chamada de covid Brasil e suas vítimas, e o Parlamento Europeu

Marcelo Valio*

06 de maio de 2021 | 14h11

Marcelo Válio. Foto: Divulgação

O presidente do Brasil, Excelentíssimo Sr. Jair Bolsonaro, foi alvo de críticas severas no Parlamento Europeu durante debate sobre a pandemia de covid-19 na América Latina e violações dos direitos humanos.

Na discussão no referido Parlamento, houve críticas ferozes a respeito do “negacionismo” e da “necropolítica” do chefe da nação brasileira.

O deputado espanhol, Sr. Miguel Urbán Crespo apontou expressamente que “com a gestão criminosa de Bolsonaro, ele em vez de fazer guerra ao vírus faz guerra contra a ciência”.

Já a deputada alemã Anna Cavazzani considerou que a tragédia sanitária do Brasil poderia ter sido evitada, e que o Digníssimo Sr. Dr. presidente Bolsonaro tem estratégia deliberada: “Bolsonaro, desde o começo, recusou-se a tomar medidas com base científica, encorajou manifestações de massa, questionou a vacinação, foi à Justiça contra governadores que decretaram medidas de confinamento, e quase 400 mil pessoas estão mortas”.

Infelizmente é flagrante a desigualdade social econômica e o avanço fora de controle da pandemia da Covid-19 no Brasil.

Ademais, notória também que o chefe da nação encorajou manifestações, questionou a vacinação, foi à Justiça contra medidas de isolamento e não se preocupou com a falta de insumos para intubação.

Nesse sentido, interessante e até verdadeira a fala do eurodeputado espanhol Miguel Urbán que “por ação ou omissão, a necropolítica de Bolsonaro constitui um crime contra a humanidade que deve ser investigado.”

No mesmo parlamento, legisladores conservadores que participaram no debate também apresentaram críticas, mas sem mencionar o nome do presidente brasileiro.

Diante do apresentado no Parlamento Europeu durante o debate sobre a pandemia de covid-19 na América Latina, indiscutível que as falas e conclusões serão utilizadas na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado para investigar a atuação do governo na pandemia de coronavírus.

Utilizada também será a acusação de crime contra a humanidade por conta da crise sanitária que vive o Brasil nesta audiência convocada pelo Parlamento Europeu.

Outrossim, o discurso e disseminação de desinformações por parte do Excelentíssimo presidente também será prova bastante contumaz para o deslinde da CPI.

Importante dizer também que face ao apresentado na audiência, o Tribunal Penal Internacional de Haia será novamente provocado para abertura de investigação.

A denúncia será encaminhada ao Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia, na Holanda, formalmente, com o objetivo de condenação do chefe da nação brasileira de cometer crime contra a Humanidade por conta da crise sanitária que vive o Brasil e seus atos omissivos e comissivos sem base científica.

Outras denúncias também poderão ser distribuídas perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos e se podem somar a outros pedidos de impeachment do presidente da República no órgão competente.

Enfim, nunca um presidente brasileiro foi tão acusado e denunciado em âmbito nacional e internacional por seus atos.

O ser humano está acima de qualquer convicção política e assim deveria o presidente da República se portar.

Infelizmente, o presidente, que era uma esperança para alguns e uma oposição para outros, está conseguindo insatisfazer a todos.

A vontade de seguir os passos e idéias políticas do ex-presidente americano Trump, geraram supostas ou até flagrantes infrações a mínimos direitos humanos dos brasileiros.

A razoabilidade, a responsabilidade, a moralidade e a preservação da vida humana deveriam ser os princípios a serem seguidos por todo e qualquer chefe da nação brasileira.

A vida não pode ser vista sob o ângulo político, pois um direito universal, natural e irrenunciável.

Importante destacar que a fala e atitudes de um político, servem de exemplo ao povo que o identificam como um homem a ser seguido.

Interessante dizer o que já ouvimos de amigos: “se nem o Presidente usa máscara e toma vacina, eu também não usarei e não tomarei.”

O exemplo e imagem de um homem público reflete no seu povo. Assim, indispensável que o político seja responsável nos seus atos e falas.

Evidências científicas devem ser seguidas e sustentadas por qualquer agente público para tutela de sua sociedade.

Amar e proteger o seu povo sem ideologia política é a real missão de um real chefe do Executivo.

Enfim, aguardaremos ansiosamente as cenas dos próximos capítulos desta novela mortal chamada de covid Brasil e suas vítimas.

*Marcelo Válio, graduado em 2001 PUC/SP. Especialista em direito constitucional pela ESDC, especialista em direito público pela EPD/SP, mestre em direito do trabalho pela PUC/SP, doutor em filosofia do direito pela UBA (Argentina), doutor em direito pela FADISP, pós doutor em direito pelo Universidade de Messina (Itália) e pós doutorando em direito pela Universidade de Salamanca (Espanha).

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