Da crise às oportunidades

Da crise às oportunidades

Giovani Grignani Pereira*

05 de agosto de 2020 | 05h00

Giovani Grignani Pereira. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Uma frase conhecida ganhou ainda mais destaque no atual momento: na crise é que surgem as oportunidades. A fase que estamos vivenciando exigiu de toda a sociedade uma série de mudanças. Entre tantas transformações, algumas dão claros sinais que se manterão mesmo ao fim da pandemia, como por exemplo, os novos hábitos de consumo. Poder fazer diversas ações sem precisar sair de casa está cada vez mais se tornando tendência, então, por que não investir e empreender em algo dentro desse novo contexto? O serviço delivery, a oferta de atividades online e até levar a prestação de serviço para o quintal do consumidor, como é o caso dos mercados instalados dentro de condomínios residenciais e que estão cada vez mais se consolidando, são alguns exemplos do que o “novo normal” traz em termos de novas oportunidades a serem exploradas. O diretor executivo do World Business Angels Investment Forum (afiliado da parceria global criada pelo G20 para a inclusão financeira), Baybars Altuntas, declarou recentemente que os empreendedores inteligentes e vencedores no mundo pós-pandemia são aqueles que conseguem ler os comportamentos em transformação dos consumidores.

Dentro do empreendedorismo, um modelo vem ganhando espaço a cada dia: o de startup. Considerando-se a etimologia da palavra, startup é sinônimo de iniciar algo e colocar em funcionamento.

Em um cenário economicamente delicado como o qual o país atravessa, é natural pensar que este não é o melhor momento para empreender. No entanto, se inspirar no modelo de negócios das startups pode auxiliar a dar uma guinada ou turbinada no negócio – que não precisa ser necessariamente uma startup, mas se basear na metodologia dela.

Uma startup tem como objetivo principal desenvolver ou aprimorar um modelo de negócio, preferencialmente escalável (que cresça cada vez mais sem que isso influencie no modelo de negócios); disruptivo (que impacta mercados e transforma hábitos de consumo) e repetível (que seja capaz de replicar e reproduzir a experiência do produto ou serviço de forma simples).

Inovação é palavra de ordem e aí, não se trata de lançar um produto ou serviço inédito, mas transformar o formato de comercialização, de distribuição, de apresentação ou mesmo da comunicação. É traçar estratégias para não ser “mais do mesmo”, desenvolver produtos e serviços em cenários de extrema incerteza, com novos mercados, novas tecnologias, criando assim um modelo de negócios próprio. Para isso, o empreendedor precisa perceber as carências da região onde está instalado ou vai se instalar, estudar o mercado, oferecer algo a mais do que a concorrência e conversar com possíveis clientes para entender os seus anseios e, assim, planejar como fazer para atendê-los.

Mais do que nunca, o mundo mudou muito e, portanto, acompanhar as transformações é preciso. Não se trata de mudar radicalmente conceitos que se consolidaram com o passar do tempo, mas de se adaptar aos novos hábitos de consumo, ficar atento às novas oportunidades que estão surgindo e se inspirar no que fazem as startups: fazer a diferença para a prosperidade do negócio.

Em tempos de transformações geradas pela pandemia do coronavírus, devemos estar abertos a mudanças e adaptações para quando tudo isso passar. Apesar de todos os pesares dessa crise, esse é um bom momento para nos reinventarmos como pessoas, sociedade e negócios. De acordo com os acontecimentos de agora, você pode criar um novo futuro.

*Giovani Grignani Pereira, economista e CEO da startup Mercadomínio

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