Da CLT para o CNPJ

Da CLT para o CNPJ

Eduardo L'Hotellier*

20 de outubro de 2018 | 05h00

Eduardo L’Hotellier. FOTO: DIVULGAÇÃO

O País se encontra em um momento em que o número de brasileiros que trabalham por conta própria ou em vagas sem carteira assinada é maior do que o dos que têm um emprego formal, de acordo com dados divulgados pelo IBGE. Somente no ano passado, foram 34,31 milhões de profissionais autônomos ante 33,32 milhões trabalhando sob o regime de CLT.

Sabemos que, em alguns casos, freelancers e profissionais autônomos optam por não ter um chefe direto, pois querem maior flexibilidade de local e horário de trabalho e também evitar o trânsito dos grandes centros urbanos, além de conseguir ter um maior controle sobre o dinheiro que entra.

Porém, há, principalmente, os que trabalham por conta própria por necessidade de se reinventar em um momento de crise, por exemplo. Apenas no fim de 2017, o índice de desemprego no Brasil chegou a 11,8%, de acordo com o IBGE, que estima que 12,3 milhões de pessoas estão fora do mercado de trabalho, sendo o maior índice registrado desde 2012.

Na contramão dessa situação, o GetNinjas vê crescer a passos largos o número de profissionais cadastrados na plataforma. O total de prestadores de serviços no aplicativo subiu 65% entre 2017 e 2018. Hoje, já são mais de 500 mil pessoas usando o app em mais de 3 mil cidades do País. Vemos um número cada vez maior de pessoas que entraram na plataforma buscando uma renda extra e hoje já consideram como principal fonte de renda.

Esse é o caso de Vania Finardi Bento, uma dona de casa que resolveu se cadastrar no GetNinjas após o marido ficar desempregado, em 2016. Hoje, os dois trabalham anunciando serviços por meio do aplicativo, cada um em um segmento. Enquanto Vania realiza serviços de diarista e passadeira, o marido comanda as limpezas pós-obra. Ambos atendem mais de 15 casas por semana e esta demanda só aumenta a cada mês.

O GetNinjas foi a principal ferramenta de trabalho de Vania e, como ela mesmo diz: “o aplicativo me trouxe os clientes para que eu tivesse a chance de fazer minha reputação no mercado”.

Hoje, nós temos mais de 64 mil profissionais como a Vania, cadastrados na categoria “Diarista” dentro do aplicativo, sendo que 98% deste total são profissionais sem CPNJ. Além disso, entre os 517 mil profissionais cadastrados entre as 200 categorias no GetNinjas, somente 10% possuem CNPJ. O que significa que estamos lidando com uma maioria massiva de profissionais autônomos buscando nosso app como fonte de divulgação dos seus serviços.

Atualmente, o trabalho no Brasil está sendo impulsionado por autônomos, porém esse tipo de profissional ainda encontra muitas dificuldades no meio do caminho. Por exemplo, o problema de encontrar clientes por conta própria. É neste contexto que plataformas de serviço auxiliam os profissionais neste atual cenário do País, em que eles acabam tendo uma maior confiança em escolher clientes e formas de trabalhar que mais se adaptem ao seu perfil e necessidade.

Meu conselho àqueles que trabalham por conta própria por necessidade ou optaram por ser profissionais autônomos é: lembrem-se que vocês são seu próprio empregado e chefe. Portanto, é preciso manter uma boa organização da empresa, mesmo que ela seja composta por uma pessoa só: você.

Há a liberdade, independência e ganhos maiores a curto prazo. Porém, responsabilidade, aprimoramento e atenção devem fazer parte da rotina do autônomo também, pois não é fácil manter tudo funcionando e ultrapassar os cinco primeiros anos do negócio.

*Eduardo L’Hotellier é fundador e CEO do aplicativo para contratação de serviços GetNinjas

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