Da bandidolatria à insegurança jurídica

Da bandidolatria à insegurança jurídica

Aluisio Antonio Maciel Neto*

07 Setembro 2018 | 10h00

Aluisio Antonio Maciel Neto. FOTO: DIVULGAÇÃO

Ler ou ouvir comentários sobre o atentado contra o candidato Jair Bolsonaro com frases como “ele semeou o ódio”, “ele era intolerante”, é algo digno de pena.

A violência é decorrente da audácia dos criminosos e não do sangue de suas vítimas.

Imputar responsabilidade à vítima é simplesmente continuar com a cultura cega da bandidolatria, a justificar sempre a responsabilidade alheia e a confundir o discurso com o ódio.

A retórica sempre foi uma das armas da política, exercida desde a democracia grega nas praças públicas. Faz parte de qualquer sociedade e propicia a construção de visões de mundo distintas, necessárias para formação da sociedade em que vivemos.

A violência, não. A violência é algo que não pode ser justificada por qualquer retórica, mesmo aquela com a qual não concordamos.

Infelizmente, este comportamento é próprio de uma sociedade decadente, onde os valores do certo e do errado já não fazem mais sentido, onde não há mais respeito à Lei, onde o crime compensa e a impunidade dá as cartas.

Tudo sob os olhos vendados de uma Justiça que se revela incapaz de enxergar a realidade e semeia, diariamente, a insegurança jurídica que nos acomete.

Que Deus tenha piedade de nós…

*Aluisio Antonio Maciel Neto, 2.º promotor de Justiça do Tribunal do Júri de Piracicaba/SP

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