Cyberbullying – a violência psicológica virtual e o avanço da legislação

Renata Bento*

18 de agosto de 2021 | 12h03

O cyberbullying é o uso de forma deliberada através de comportamentos hostis com objetivo de provocar, difamar, insultar e humilhar; são disseminados a uma velocidade imensurável por meio das tecnologias de informação e comunicação. É um tipo de violência praticada de modo virtual que afeta psicologicamente causando impacto real no mundo mental de suas vítimas, acarretando sérios prejuízos ao crescimento, autonomia e independência.

Renata Bento. FOTO: DIVULGAÇÃO

A princípio não consiste em agressão física e devido a isso tende a ser menos divulgada e valorizada porque pode ser visto como algo menos danoso, o que é um engano, já que as consequências psíquicas podem ser tão ou mais graves quanto o bullying, digamos tradicional, marcado pela agressão física. Além disso, cabe ressaltar que o cyberbullying pode ser uma porta de entrada para outros tipos de violência psicológica aquela que induz ao encontro com o agressor, podendo chegar a violência física propriamente dita, ou o bulliyng tradicional. Se para um adulto pode ser devastador, imagine para uma criança ou adolescente que são facilmente influenciáveis!

Uma das características que diferencia cyberbullying e bullying é a dificuldade de identificação do agressor, deste modo, no contexto virtual, lugar inóspito que não se vê corpo nem rosto e onde a informação tem grande velocidade, torna-se mais demorado a aproximação e reconhecimento do agressor.

O cyberbullying pode ser devastador para o mundo psíquico e pode ocorrer de diversas formas: através de mensagens de texto, imagens, perfis falsos, chats on line, jogos on line, entre outros. Com toda facilidade que existe com a tecnologia na atualidade, a dificuldade é manter privado aquilo que pertence a esfera privada. Isto é, tudo pode ser gravado, fotografado, editado e transmitido. A internet tem uma capacidade de disseminar informação de forma muito rápida, e por isso, seu alcance passa ter uma dimensão impensável. O que fica na rede não pode ser apagado, pior, pode ser compartilhado, e o estrago pode ser grande.

O cyberbullying caracteriza-se como uma experiência traumática, um tipo de violência psicológica silenciosa e com raízes profundas pois leva a vítima a se recolher, a se isolar socialmente, a ter dificuldades de concentração, introversão, e, pode contribuir para o aparecimento de quadro mais graves como a depressão e até mesmo levar ao suicídio.

A dificuldade em ser descoberto e a falsa sensação de anonimato contribuem para o crescimento desse tipo de violência psicológica, que é considerada crime. Apesar de ser um assunto ainda novo, a legislação tem avançado e foram criadas leis que protegem o usuário. Isto é, uma vez o detectado o cyberbullying, medidas judiciais podem ser tomadas a fim de proteger a vítima do ponto de vista jurídico. Há que se ter a proteção e acompanhamento psicológico porque a vítima fica emocionalmente enfraquecida, com autoestima prejudicada e muitas vezes envergonhada.

*Renata Bento, psicanalista, psicóloga e membro Associado da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro. Membro da International Psychoanalytical Association – UK.Membro da Federación Psicoanalítica de América Latina – Fepal. Especialização em Psicologia clínica com criança PUC-RJ. Perita ad hoc do TJ/Rj – RJ. Assistente Técnica em processo judicial. Especialista em família, adulto, adolescente

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