Custo Brasil buscou na sede do PT arquivos da tesouraria sobre pagamentos da Consist

Alvo são as gestões dos ex-tesoureiros João Vaccari Neto e Paulo Ferreira, este com prisão preventiva decretada nesta quinta, 23, em desdobramento da Lava Jato

Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

23 de junho de 2016 | 11h29

Diretório do PT em São Paulo foi alvo da Operação Custo Brasil. Foto: Estadão

Diretório do PT em São Paulo foi alvo da Operação Custo Brasil. Foto: Estadão

Os policiais federais que fizeram buscas na sede nacional do PT, em São Paulo, na manhã desta quinta-feira, 23, dentro da Operação Custo Brasil, tinham como ordem da Justiça Federal a apreensão de arquivos da tesouraria do partido referentes a pagamentos e recebimentos da Consist Software durante as gestões dos ex-tesoureiros João Vaccari Neto e Paulo Ferreira.

A Custo Brasil, decorrente das descobertas da Operação Lava Jato, descobriu que além da movimentação financeira da propina paga pela Consist em contrato do Ministério do Planejamento nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff as tratativas foram realizadas na sede do partido.

Em delação premiada, o ex-vereador do PT Alexandre Romano, o Chambinho, confessou que operou propina nesse negócio, relacionado aos créditos consignados de servidores federais. Na delação, ele apontou Paulo Ferreira com responsável por sua participação no negócio, em reunião na sede do PT, em Brasília, no final de 2009.

“Para a conversa, Paulo Ferreira chamou Duvanier Paiva Ferreira (Secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento) e Carlos Gabas”, informou Chambinho. “Foi falado que parte dos lucros da empresa ficaria com o Partido dos Trabalhadores e outra parte com as pessoas envolvidas na operação.”

No roteiro montado por Chambinho para a Lava Jato, após o acerto foi até Vaccari. “Foi ao encontro de João Vaccari, na sede do Partido dos Trabalhadores em São Paulo”, afirmou Romando à procuradores da República

Chambinho relata que Vaccari não concordou com repasse de parte da propina para Gabas e Duvanier. Paulo Bernardo ficaria com 1/3 dos 32% porque era na época Ministro do Planejamento, chefe de Duvanier Paiva Ferreira. Na sequencia, João Vaccari disse que os outros 2/3 seriam divididos entre o Partido dos Trabalhadores (90%) e Alexandre Romano (10%).”

Romano diz não ter concordado com a partilha e recorreu a Paulo Ferreira. Este, teria proposto o acerto final: “20% para Alexandre Romano e 80% para o Partido dos Trabalhadores”.

Paulo Bernardo, ex-minstro do Planejamento preso na Custo Brasil, receberia um terço da propina. Ao longo dos anos, o esquema teria desviado R$ 100 milhões

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