‘Cúpula do PMDB abençoou o processo’, diz delator sobre propina de US$ 40 milhões para partido

Rogério Aráujo, executivo da Odebrecht, relata os detalhes de reunião na sede peemedebista em São Paulo, em 2010, da qual teria participado o então presidente da agremiação Michel Temer

Breno Pires, Fábio Serapião, Fabio Fabrini, Ricardo Brandt, Julia Affonso e Luiz Vassallo

13 de abril de 2017 | 16h40

Michel Temer (à esq.) e Henrique Eduardo Alves. Foto: Ed Ferreira/Estadão

Michel Temer (à esq.) e Henrique Eduardo Alves. Foto: Ed Ferreira/Estadão

O executivo Rogério Araújo, delator da Odebrecht na Operação Lava Jato, relatou aos investigadores os detalhes de uma reunião em julho de 2010 na sede do PMDB, na presença de três políticos, entre eles o então presidente do partido e vice-presidente da República à época, Michel Temer.

“Ficou subentendido que a cúpula do PMDB estava abençoando o processo e que estava a par da situação”, declarou Araújo, referindo-se a uma propina de US$ 40 milhões supostamente destinada ao partido.

Também participaram da reunião o então deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ) – ex-presidente da Câmara e preso na Lava Jato – e o ex-deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN), ex-ministro do Turismo do governo Temer.

O encontro, disse Araújo, foi provocado por ele e seu colega na empreiteira Márcio Farias. Ambos tinham dúvidas se a cúpula do PMDB estava mesmo exigindo a propina milionária – equivalentes a 5% de um contrato de US$ 800 milhões que a empreiteira pretendia fechar com a Diretoria Internacional da Petrobrás – sob direção do engenheiro Jorge Zelada, preso na Lava Jato – em um projeto no exterior.

Também havia a cobrança de 1% para o PT, pela Diretoria de Serviços da estatal petrolífera, na época dirigida por Renato Duque – preso na Lava Jato.

“Era um porcentual muito alto, fugia dos nossos padrões”, disse Araújo.

PMDB. Inicialmente, afirma o delator, quem começou a assediar a Odebrecht foi o engenheiro João Augusto Henriques, apontado como lobista do PMDB na Petrobrás. Henriques procurou a empreiteira e impôs os 5% alegando que o dinheiro seria destinado ao partido.

Segundo ele, Eduardo Cunha entrou no jogo de pressões para que a Odebrecht fizesse o repasse milionário rapidamente, sob argumento de que era ano eleitoral e o partido precisava de recursos.
O delator disse que na reunião com Temer não se falou em valores, mas que o hoje presidente da República ‘assentiu’. “Ficou subentendido que a cúpula do PMDB estava abençoando o processo e que estava a par da situação”, declarou Araújo.

Araújo disse que Eduardo Cunha assumiu o comando da reunião, que durou cerca de uma hora. Tomou a palavra desde o início e garantiu que o contrato com a Petrobrás seria assinado.

“Eu disse que todos os compromissos que a gente tem, tudo vai ser honrado”, conta Araújo, referindo-se ao acerto.

Segundo ele, não se falou especificamente em propina. “O Michel Temer, que eu não conhecia, assentiu. Ele disse, ‘a Odebrecht é uma grande empresa, preparada para trabalhar no exterior’. Ele e Henrique (Alves) assentiram nesse apoio do PMDB ao projeto (da Odebrecht).”

O contrato foi assinado em outubro. Araújo disse que a propina milionária não foi paga.

O PMDB tem negado que jamais autorizou quem quer que seja a arrecadar valores ilícitos para o partido.

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