Cunhada de Vaccari declara empréstimos com dois réus do caso Bancoop

Cunhada de Vaccari declara empréstimos com dois réus do caso Bancoop

Marice Corrêa de Lima diz ter dado R$ 95 mil à ex-diretora Ana Maria Ernica e tomado R$ 30 mil de advogada da cooperativa habitacional de sindicato, ligada ao ex-tesoureiro do PT

Redação

28 Abril 2015 | 05h00

Por Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

A cunhada do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, Marice Corrêa de Lima, declarou ao Fisco operações de empréstimos, no valor total de R$ 120 mil, envolvendo dois réus do processo da Bancoop (Cooperativa Habitacional do Sindicato dos Bancários de São Paulo): Ana Maria Ernica e Letícia Achur Antônio.

Fundada por um núcleo do PT, nos anos 1990, dentro do Sindicato dos Bancários de São Paulo, a Bancoop quebrou em 2006, deixando um prejuízo de mais de R$ 100 milhões para mais de 2,5 mil mutuários que pagaram por imóveis que nunca receberam.

Marice deixa a carceragem da PF, em Curitiba. Foto: Gisele Pimenta/Frame

Marice deixa a carceragem da PF, em Curitiba. Foto: Gisele Pimenta/Frame

Vaccari (ex-presidente da Bancoop), Ana Maria (ex-diretora-financeira e Letícia (advogada) estão no banco dos réus da Justiça de São Paulo, desde 2010, acusados de estelionato e lavagem de dinheiro.

O processo corre na 5ª Vara de São Paulo. Segundo a denúncia do Ministério Público Estadual, parte do dinheiro desviado da Bancoop pelos ex-diretores teria sido usada para bancar campanhas do PT.

A Operação Lava Jato busca saber agora qual o motivo dos empréstimos feitos pelas duas acusadas do caso Bancoop. Os empréstimos apareceram nas declarações de Imposto de Renda da cunhada de Vaccari.

Trecho da declaração de IR de Marice Corrêa de Lima com registro de empréstimo de 2006 / Reprodução

Trecho da declaração de IR de Marice Corrêa de Lima com registro de empréstimo de 2006 / Reprodução

O processo da Bancoop originado em 2010 foi citado pelo procuradores da força-tarefa da Lava Jato, ao denunciarem Vaccari este ano pelo desvio de recursos para o PT em contratos da Petrobrás, como prova de continuidade delitiva do acusado.

A força-tarefa da Lava Jato suspeita que a cunhada “funcionava como uma auxiliar de João Vaccari Neto para operacionalizar a propina destinada ao Partido dos Trabalhadores”.

Trecho de declaração de IR de ex-diretora da Bancoop / Reprodução

Trecho de declaração de IR de ex-diretora da Bancoop / Reprodução

Empréstimos sob suspeita. No primeiro empréstimo sob investigação, Ana Maria tomou R$ 95 mil, em 2006, e teria repassado o valor em três anos para Marice. No segundo, a cunhada tomou de Letícia R$ 30 mil, em 2009.

Segundo consta na declaração, o primeiro valor foi dado em junho de 2006 à ex-diretora financeira da Bancoop por meio de “um contrato de mútuo” entre as partes.

Na declaração ao Fisco feita por Ana Maria – anexada no processo da Bancoop – consta o registro do contrato de mútuo com Marice, no valor de R$ 95 mil, com detalhamento do pagamento. “A ser restituído em 3 parcelas anuais (2007 / 2008 / 2009).”

O empréstimo feito com a advogada da Bancoop, em 2009, está registrado na declaração de Marice de 2011, no valor de R$ 30 mil. O valor teria sido tomado pela cunhada de Vaccari e quitado em 2010.

Trecho de declaração de IR de cunhada de Vaccari com empréstimo de 2013 / Reprodução

Trecho de declaração de IR de cunhada de Vaccari com empréstimo de 2013 / Reprodução

Nova denúncia. Nesta segunda-feira, 27, Vaccari foi alvo de mais uma denúncia criminal – desta vez no âmbito dos processos da Lava Jato, na Justiça Federal, em Curitiba – por lavagem de dinheiro.

O ex-tesoureiro é acusado de usar a Editora Gráfica Atitude, para desviar propina da Petrobrás para o PT. O Sindicato dos Bancários de São Paulo, de onde vem Vaccari, é filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e um dos donos formais da Editora Gráfica Atitude.

A empresa recebeu R$ 2,4 milhões do grupo Setal – uma das 16 integrantes do cartel acusado de corrupção na Petrobrás – entre 2010 e 2013.

Na denúncia desta segunda-feira, o Ministério Público Federal sustenta que Vaccari orientou o executivo Augusto Mendonça – delator da Lava Jato – a fazer o pagamento de propina por meio de pagamentos oficiais para a editora.

Além do sindicato dos bancário, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC – também filiado à CUT – figura como proprietário da Editora Atitude.

COM A PALAVRA, A DEFESA

O criminalista Cláudio Pimentel, que defende Marice, não foi encontrado nesta segunda-feira, 27. Em outra ocasião, ele afirmou que toda sua movimentação financeira está declarada no Imposto de Renda.

Preso desde o dia 15, na sede da Polícia Federal, em Curitiba, Vaccari nega, por meio de defesa, irregularidades. Com sua prisão, a Justiça paulista já acionou o juiz federal Sérgio Moro – que conduz os processos da Lava Jato – para que ele seja ouvido no caso Bancoop.

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