Cunhada de tesoureiro do PT é levada para depor na PF

Cunhada de tesoureiro do PT é levada para depor na PF

Marice Correa de Lima teria recebido 'valores vultosos em espécie' a mando da OAS

Redação

14 Novembro 2014 | 14h11

Ricardo Brandt e Fausto Macedo

A Justiça Federal determinou a condução coercitiva de Marice Correa de Lima, cunhada do tesoureiro do PT João Vaccari Neto, apontado na Lava Jato como operador do esquema que levou à prisão o ex-diretor de Serviços da Petrobrás, Renato Duque.

O Ministério Público Federal chegou a requerer a prisão temporária de Marice sob o argumento que ela teria recebido “valores vultosos em espécie” do doleiro Alberto Youssef “em entrega solicitada pela OAS”.

A Justiça não decretou a prisão da cunhada de Vaccari, mas mandou que ela fosse conduzida à Polícia Federal para depor.

Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa declararam que Vaccari foi o operador da propina na Diretoria de Serviços e Engenharia, que foi comandada por Renato Duque.

Por meio dessa diretoria, eles recebiam 2% de todo contrato da Petrobrás, segundo as revelações de Youssef e Costa.

Segundo afirmou o ex-diretor de Abastecimento em seu depoimento à Justiça, em Curitiba, essa diretoria é controlada pelo PT. Como ela faz todas licitações das demais diretorias, ela ficava com 2% do valor dos contratos.

Nas diretorias onde o PP (Abastecimento) e o PMDB (Internacional) comandavam 1% era para eles e 2% ia para a diretoria operada por Vaccari.

Nas diretorias de Energia e Gás e , onde o PT tinha o comando, o partido ficava com 3% ao todo.

Vaccari também foi ligado ao esquema envolvendo o fundo de pensão dos trabalhadores da Petrobrás (Petros). Ele teria ajudado Youssef em investimentos do fundo que deram prejuízo.

No processo, foi identificado que José Ricardo Nogueira Breghirolli, da OAS, foi flagrado em trocas de mensagens com o doleiro Alberto Youssef falando de entrega de valores e indo vários vezes em seu escritório.

“Outras trocas de mensagem indicam que José Ricardo era o responsável, junto à OAS, pelos contatos e negócios com Alberto Youssef, inclusive para remessas fraudulentas ao exterior. Em um desses contatos, José Ricardo teria solicitado, segundo a representação, uma entrega, em 3 de dezembro de 2013, aparentemente de R$ 110.000,00 a pessoa de nome Marice, em provável referência a Marice Correa da Lima.”

VEJA O INFOGRÁFICO QUE RELACIONA VACCARI NO ESQUEMA DA OAS

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