Cunha vai depor em inquérito que investiga Temer

Cunha vai depor em inquérito que investiga Temer

Depoimento está marcado para as 11h desta quarta-feira, 14, na sede da Polícia Federal em Curitiba

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Luiz Vassallo

13 de junho de 2017 | 18h53

Eduardo Cunha e Michel Temer. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em ação penal na Operação Lava Jato, no Paraná, vai prestar depoimento nesta quarta-feira, 14, às 11h, na Polícia Federal, em Curitiba. Eduardo Cunha vai falar no inquérito que investiga o presidente Michel Temer (PMDB) por suspeita de corrupção passiva, obstrução de Justiça e organização criminosa.

O advogado Rodrigo Sanchez Rios, que defende Eduardo Cunha afirmou que o ex-deputado não conhece todo o conteúdo do inquérito. Segundo o defensor, o peemedebista vai dizer que não recebeu valores da JBS em troca de seu silêncio.

Temer foi gravado pelo empresário Joesley Batista na noite de 7 de março, no Palácio do Jaburu. O presidente ouviu de seu interlocutor um relato sobre Eduardo Cunha. Para a Procuradoria-Geral da República, Temer e Joesley trataram de uma suposta ajuda financeira a Eduardo Cunha em troca do silêncio do ex-presidente da Câmara.

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Eduardo Cunha está preso em Curitiba desde outubro de 2016. O ex-deputado foi condenado a 15 anos e 4 meses de prisão por corrupção, de lavagem e de evasão fraudulenta de divisas em ação penal sobre propinas na compra do campo petrolífero de Benin, na África, pela Petrobrás, em 2011.

Temer e seu ex-assessor especial Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), que está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, passaram a ser investigados pelo Ministério Público Federal com base nas delações de executivos da empresa JBS, sob a suspeita de prática dos crimes de corrupção passiva, participação em organização criminosa e obstrução à investigação de organização criminosa; eles negam qualquer crime.

Na sexta-feira (9), o presidente da República se recusou a responder às 82 perguntas enviadas pela Polícia Federal no inquérito da Operação Lava Jato. A defesa pediu também o arquivamento do inquérito. Da mesma forma, Rodrigo Rocha Loures, levado para interrogatório na sexta, calou.

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