Cunha chega à sala de Moro com documentos nas mãos

Ex-presidente da Câmara, preso desde outubro de 2016, em Curitiba, começou a ser interrogada pela primeira vez pelo juiz da Lava Jato

Fausto Macedo, Beatriz Bulla, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt

07 de fevereiro de 2017 | 16h14

Eduardo Cunha fez exames no IML, após ser preso na Lava Jato. Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

Eduardo Cunha fez exames no IML, após ser preso na Lava Jato. Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

O ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), entrou na sala de audiências do segundo andar da Justiça Federal, em Curitiba, carregando um calhamaço de papeis embaixo do braço. O ex-deputado é interrogado nesta terça-feira, 7, pelo juiz federal Sérgio Moro, símbolo da Operação Lava Jato.

É a primeira vez que Moro e Cunha ficam cara a cara. A audiência começou poucos minutos após as 15 horas, na sala de audiências da 13.ª Vara Federal de Curitiba, base da Lava Jato.

O ex-deputado está preso em Curitiba desde 19 de outubro de 2016, por ordem Moro.

Até aqui, o peemedebista escolheu o silêncio como estratégia. Oficialmente, Cunha não deu qualquer sinal à Polícia Federal e Ministério Público Federal de que quer colaborar com as investigações. Mas logo após ser preso, contrato o criminalista Marlus Arns, de Curitiba, responsável por algumas das delações da Lava Jato.

Nesta ação, a segunda em que Cunha é réu na Lava Jato, o deputado cassado teria recebido em suas contas na Suíça propinas de ao menos R$ 5 milhões referentes à aquisição, pela Petrobrás, de 50% do bloco 4 de um campo de exploração de petróleo na costa do Benin, na África, em 2011.

O negócio foi tocado pela Diretoria Internacional da estatal, cota do PMDB no esquema de corrupção.

O Ministério Público Federal sustenta que parte destes recursos foi repassada para Cláudia Cruz, mulher de Eduardo Cunha, também em contas no exterior – a transação está sendo investigada em outra ação, específica contra a mulher do peemedebista.

 

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