Cultura do cancelamento não é do Big Brother Brasil. Faz parte das rede sociais

Cultura do cancelamento não é do Big Brother Brasil. Faz parte das rede sociais

Patrícia B. Teixeira*

27 de fevereiro de 2021 | 06h00

Patrícia B. Teixeira. FOTO: DIVULGAÇÃO

Um dos temas de 2020 foi a cultura do cancelamento. E posso te falar a real, o assunto permanece em 2021. Sabe por quê? De lá para cá o ser humano não mudou e nem as redes sociais: “Eu curto”, “Eu comento”, “Eu compartilho”, “Eu Odeio”, “Eu agradeço”, “Eu fico triste”, “Eu choro” e “Eu fico brava”…

Rede Social é Gestão dos Sentimentos, Gestão da Verdade, Gestão da Informação, Gestão de Egos. Isso mesmo: tudo junto e misturado. Vale para pessoas, marcas, produtos e organizações no modo geral.

Quando falamos de Cultura de Cancelamento, várias disciplinas são envolvidas: Marketing Digital, Psicanálise, Opinião Pública, Comunicação Corporativa, Gestão de Risco e Gestão de Crise. Tudo está interligado de certa forma, sem um processo definido de quando termina algo e começa outro.

A cultura de cancelamento se tornou um universo de complexidade, no qual vários emaranhados se cruzam.

E o que vem a ser Cultura do Cancelamento?

Cancelar o outro é quando, literalmente, você o exclui da sua vida por não concordar com seu pensamento, comportamento, atitude, comentários, diretrizes, por onde ou quem anda.

Se você seguir a teoria, Rede Social tem como objetivo reunir e interligar pessoas de interesse comum para promover o debate. Opa, mas o importante é deixar claro que Rede Social não surgiu com internet. A Web se tornou um meio para a Rede Social. A Igreja, por exemplo, é uma rede social das mais antigas da história da humanidade. E o ser humano pode deixar de seguir se algo não vir de encontro com suas ideologias. Com internet não é muito diferente, se formos seguir a teoria em si.

O grande questionamento é com relação à tolerância, ao perdão, de não ter a chance de errar e não falar o que pensa para agradar ao público. Será que não? Depende diretamente do posicionamento e dos valores envolvidos – Pura estratégia de comunicação. E é sim possível ser você mesmo com seus valores e posicionamentos, basta somente contar. Exemplo disso é Anitta. Há um público que a ama e os que odeia, mas ela se posicionou que canta, dança, bate palmas, adora farra e de tudo mais um pouco. Isso mesmo sem caras e bocas.

Um simples “@” virou uma marca e um influenciador. Sua notoriedade e crescimento dependem sim do olhar do outro. Eu somente sigo quem eu me aproximo, fala o que eu penso, sinto e me identifico.

Rede social é um palco no qual todos podem entrar no seu canal/ espaço para assistir o que está acontecendo. E quando se chega num determinado nível de exposição, em alguns momentos a cena pode não agradar. Entram os riscos de tamanha exposição que pode virar uma crise. E por que se torna um risco e uma crise eminente? Por alguns motivos: 1) ações que não condizem com o que fala; 2) atos que não vem de encontro com os valores da sociedade, como preconceito; 3) colocar uma camiseta que não é sua, ou seja, se posicionar de forma errada, enquanto a verdade é outra.

O excesso de exposição requer responsabilidade, maturidade e profissionalismo para entender: o cenário em que está inserido; compreender o ser humano e, em especial, o público; identificar e avaliar os riscos; entender até onde pode ir e se não quiser ir, saber a hora de voltar.

A cultura do cancelamento não vale somente para os participantes do Big Brother Brasil. Os cuidados e atenção são para mim que estou escrevendo este artigo, para você que está lendo, para as marcas que desejam se expor e ganhar notoriedade. Afinal, estamos falando de estratégias de redes sociais, análise do público, storytelling, discurso, gestão de marca, gestão de influenciadores, gestão de risco e gestão de crise.

*Patrícia B. Teixeira, jornalista, psicanalista, diretora da WePlanBefore, autora do livro Caiu na Rede. E agora? Gestão de Crise nas Redes Sociais (ed. Évora)

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