Cuide bem da sorte

Cuide bem da sorte

Cassio Grinberg*

12 de setembro de 2019 | 07h00

Cassio Grinberg. FOTO: DIVULGAÇÃO

Durante os anos recentes tenho conversado com empreendedores, lido, assistido e escutado entrevistas sobre como construíram suas trajetórias e empresas. Em toda entrevista, surge a pergunta sobre o papel que a sorte desempenhou no destino de cada um.

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Com certo grau de humildade, a maioria lembra de quando sentiu o sopro da sorte. Kevin Systrom, co-fundador do Instagram com o brasileiro Mike Krieger, lança um olhar interessante sobre a temática: diz que temos sorte bem mais cotidianamente do que pensamos: quando lemos algo importante, encontramos uma moeda no chão, viajamos ao lado de alguém, acertamos na comida do restaurante — praticamente toda a semana. Mas será que estamos alertas o suficiente para ao menos nos darmos conta de que estamos tendo sorte?

A sorte de ter um insight na hora certa foi o que levou o Instagram de um aplicativo de armazenamento de fotos chamado Burbn para uma rede com 25 milhões de usuários literalmente da noite para o dia. Kevin Systrom, cansado, decidiu tirar férias com a esposa no México. Caminhando na beira da praia e conversando sobre a plataforma, ela disse que dificilmente subiria fotos, pois não as achava boas. ‘Como assim?’, perguntou Kevin: ‘suas fotos são ótimas!’. ‘Não como as de seu amigo Greg’. ‘Mas Greg usa apps de filtros’, respondeu ele, mas não foi apenas a sorte. Foi também a velocidade de persegui-la: dali, voltou para o hotel, acessou uma internet discada e imediatamente conectou um filtro ao protótipo que o sócio enviara da California. Ferramenta, atenção e tendência: o insight de 1 bilhão de dólares.

A sorte é como a felicidade na poesia de Vinícius e Tom: voa leve, com vida breve: precisa que haja vento sem parar. Somos nós que sopramos a pluma, até que ela ganhe voo porque fomos estimulantes o suficiente para que outras pessoas compreendessem nosso propósito e passassem a soprar também. Mas sorte é também relativa: se para alguns a sorte é vender uma empresa ao Facebook por 1 bilhão de dólares, para outros é poder tirar férias, ter uma esposa, ou mesmo pulmões e pés para caminhar na beira da praia.

*Cassio Grinberg, sócio da Grinberg Consulting

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