Cristofobia

Cristofobia

Rodrigo Merli Antunes*

19 Janeiro 2018 | 03h35

Rodrigo Merli Antunes. FOTO: DIVULGAÇÃO

Semanas atrás, no Natal, uma rede de supermercados distribuiu a seus clientes uma espécie de ‘cartilha’ com alguns ensinamentos bíblicos, todos eles escritos por um sério e renomado pastor de uma igreja presbiteriana.

O conteúdo nada tinha de ofensivo às outras crenças e retratava princípios básicos do Cristianismo em dias bem propícios (comemoração do nascimento de Jesus). Entretanto, apesar disso, a consequência prática foi perseguição.

Nas redes sociais, clientes ameaçaram não frequentar o tal supermercado. Já na esfera pública, o Ministério Público do Trabalho recomendou a cessação da distribuição.

É o fim dos tempos, não?

Onde está a liberdade de expressão, de crença e de culto em nosso país?

Será que revogaram a Constituição Federal de 88?

Por conta do tal respeito às outras crenças, 80% de brasileiros cristãos vêm sendo proibidos de expressarem a sua fé.

Estado laico não é isso!

Estado laico não significa uma nação de ateus e de agnósticos, mas sim respeito a todas as crenças, não podendo o Poder Público criar embaraços à manifestação de qualquer sentimento religioso, desde que respeitoso.

Mas, por aqui, vivemos uma democracia de mão única, caolha e perneta (democracia saci-pererê), na qual, em nome da liberdade de alguns, estão a acabar com a liberdade de milhões.

E o curioso é que condutas verdadeiramente criminosas não são vistas com toda essa preocupação.

Em 2013, durante a visita do Papa, dissidentes do Cristianismo destruíram imagens sacras e utilizaram crucifixos até mesmo para se masturbarem.

Todavia, isso foi visto como mera crítica e não me consta que tenha acontecido algo, muito embora isso sim seja crime previsto no artigo 208 do Código Penal.

É preciso ter decência até na descrença.

É preciso ser nobre até no ateísmo.

De feriados cristãos essas pessoas gostam (afinal, não trabalham), mas respeito efetivo ao outro não possuem.

Isso tem nome: barbarismo e intolerância!

A tática deles é essa, seguir à risca os ensinamentos de Lênin: ‘Acuse-os do que você faz e xingue-os do que você é’.

*Rodrigo Merli Antunes, promotor de Justiça do Tribunal do Júri de Guarulhos, especialista em Direito Processual Penal. Autor de artigos e obras jurídicas.

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