Crise ou crescimento, para onde vamos?

Crise ou crescimento, para onde vamos?

Estamos todos dentro de uma grande sala de reunião, onde precisa ser tomada uma grande decisão. Qual será a sua escolha? Que parâmetros usará para decidir?

Tarsia Gonzalez*

31 de julho de 2018 | 04h00

Tarsia Gonzalez. FOTO: Christoph Reher

Chegamos a um momento decisivo.

Estamos dentro da sala de reunião, todos aguardando uma resposta, um caminho. Desejamos que seja novo, mas, ao mesmo tempo, não sabemos de onde ele poderá surgir. Nos últimos dois anos, vivemos, dia após dia, uma sucessão de escândalos que culminaram numa crise econômica que não desejávamos, mas que observamos surgir lentamente, sem que nos sentíssemos capazes de agir para impedi-la.

O desemprego só cresce, grandes executivos mudam suas realidades, passam a trabalhar por 50% do que ganhavam na última década – sim, grandes salários foram cortados ao meio! Ao mesmo tempo, tudo começa a aumentar de preço, a classe média está sendo massacrada, enquanto a classe de baixa renda, que vive com um pouco mais do que o salário mínimo, hoje de R$ 954,00, já não tem acesso ao básico que tinha antes, mesmo com os benefícios disponibilizados pelo governo.

Voltamos à lei da sobrevivência para conseguir pagar as contas no final do mês e, se Deus quiser, não ficar devendo a ninguém. Aliás, este já é o melhor dos mundos, afinal, o Brasil contabiliza 5 milhões de micro e pequenas empresas no vermelho, segundo pesquisa do Serasa, na qual 45,9% das empresas são prestadoras de serviços, 45,0% comerciais e 8,7% indústrias que, em janeiro de 2018, já estavam endividadas.

Estamos nessa imensa sala de reuniões aguardando a hora da decisão. Estamos a menos de 3 meses das Eleições 2018 e nada sabemos: qualquer coisa que eu disser sobre a economia Brasileira será puro “chute”. Nem mesmo os economistas mais feras têm hoje essa capacidade de antever o futuro, prever o que será, diante dos fatos e dos números tímidos que ilustram a realidade em que vivemos.

Além das questões internas, sofremos também com tudo que tem ocorrido no restante do mundo. Pedir que um milagre aconteça é o que muitos de nós estamos fazendo, mas a realidade agora é de matar ou morrer. Continuamos lutando e acreditando em um novo BRASIL NOVO OU JOGAMOS A TOALHA? Aderimos à crise, salvamos o que ainda temos e viramos as costas para esse Brasil decadente ou buscamos dentro de nós uma força positiva para lutar e reconstruir? De que lado da mesa de reuniões você está? Do lado daqueles que já perderam a fé?

Após o Brasil ter protagonizado a greve dos caminhoneiros, estamos em uma guerra comercial já deflagrada. Existe hoje uma aversão ao risco, estamos todos inseguros e, se pudesse, muita gente ia guardar o que resta debaixo do colchão. Os impactos são sentidos nas prateleiras dos supermercados, nas mensalidades escolares, no desemprego e em uma desaceleração econômica que acontece a olhos vistos. Por mais positivos que possamos ser, precisamos, no mínimo, de uma revisão do plano de voo. O ritmo mudou e uma possibilidade de mudança a curto prazo é impossível.

Os preços e serviços estão completamente sem parâmetro e o pior é que tudo já tinha sido previsto desde o ano passado, mas o brasileiro, com seu “jeitinho”, achando que tudo acaba em pizza, precisou ou ainda precisa sofrer mais para acordar, mudar e depois CRESCER. A reunião continua, os cortes foram feitos, mas toda a diretoria está sem ação. Inovar? Como e onde? Buscar saídas? Quais, se não existem novos projetos? Estamos nos sentindo paralisados.

Partimos então para nos boicotar? Fazer de conta que nada acontece? Ou partimos para o suicídio, matando nossos sonhos, nossas empresas e, em alguns casos literais, nós mesmos, afinal outro índice alarmante é o de suicídios. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2018, há muito mais casos em relação ao ano anterior, no qual os números chegaram a aproximadamente 800 mil casos.

As pessoas têm reações diferentes, algumas lidam com o fracasso de forma a buscar soluções e outras não, obviamente. Por isso, sigo à conclusão de que, ao final desta reunião, terei decisões contrárias, de um lado da mesa aqueles que desejam mergulhar na crise em suas frustações e decepções, vivendo uma depressão e um desanimo geral, não acreditando mais na possibilidade da mudança. E, de outro lado, aqueles que, independentemente do momento, alimentam crenças que ressignificam a crise, encontrando, a partir dela, força para acreditar na transformação real que o país precisa.

Eu estou do lado daqueles que se levantaram como líderes conscientes do problema que afeta o nosso mundo econômico e empresarial e que, mesmo em meio à falta de valores, dos escândalos de corrupção e das graves dificuldades, acreditam que o caminho pode ser corrigido e que podemos voltar a ser um país em crescimento e a prosperar. Eu estou deste lado da mesa. E você?

*Tarsia Gonzalez, psicóloga especializada em alta performance em liderança

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