Crise econômica e paralisação colocam em xeque saúde financeira do brasileiro

Rogério Favalli*

05 Junho 2018 | 08h30

Se não bastasse a crise econômica que assola o País e, aos poucos, começava a dar sinais de saúde no bolso do brasileiro, agora, com a paralisação dos caminhoneiros, preços mais caros nas gondolas do mercado, escassez de produtos e disputa por combustível tem desequilibrado, mais uma vez, as finanças das famílias.

Rendidas, muitos acabam pagando os valores cobrados pelo mercado em produtos que, antes, registravam até 50% de valores a menor. Só para se ter uma ideia, em março deste ano, segundo pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), oito em cada dez consumidores pretendiam manter os hábitos caso a crise fosse resolvida em 2018. Somente 19% garantiram não ter feito mudanças.

A pesquisa endossa um cenário que o brasileiro vive desde 2017. Com orçamento mais curto, muitas famílias modificaram os costumes e as rotinas de compras,  e puderam fazer uma revisão nas prioridades, dica mais do que preciosa. Isso porque, desde o início dos tempos, por falta de conhecimento ou orientação, as famílias são movidas pelo desejo de ‘comprar’ e ‘mostrar’.

Com isso, e de acordo com o ditado popular, trocam os pés pelas mãos. O ganho é dos juros e dos bancos. Empregos podem ser perdidos e junto com o emprego, vai a casa, o carro e o casamento, a escola dos filhos, o plano de saúde, as compras do supermercado. Uns conseguem emprego, outros são obrigados a reduzir o padrão de vida. O erro é acreditar que o que crédito que as famílias possuem no banco ou na empresa que trabalham, podem ser considerados como patrimônio próprio. E não, não é. Neste cenário o ideal é não pegar empréstimo. Muito menos pagar empréstimo de um banco com outro empréstimo.

Quando o brasileiro achava que estava acertando na medida, chega a paralisação. E o que fazer. Alguns tiveram que retroceder aos costumes e a crise de combustíveis já aumenta procura por conversão de carros para GNV em SP. O produto, apesar de ter o uso de um cilindro que toma boa parte do carro, pode ser, sim, a opção para muitos brasileiros, tanto no bolso, quanto na necessidade de alternativa. O custo inicial pode, sim, ser compensado com a possibilidade –e liberdade—de circular independente dos problemas que assolam o país.

Fato é: o calor da emoção –e da necessidade—não podem tomar o racional. Na ânsia de ter algum produto –ou de achar que o mesmo sairá nas prateleiras—não compre, a exceção se forem medicamentos ou a urgência se fizer presente. A dica que fica agora, em períodos extremos, e mais adiante, quando (tomara!) tudo se normalizar, é de que de nada adianta uma boa remuneração atrelada às dívidas de financiamento de veículos, de imóveis, de fatura de cartões de crédito, viagens e roupas caras.

Quer ter dinheiro ou não sentir falta dele? Conheça o seu patrimônio e os seus rendimentos. Isso também vale para a greve dos caminhoneiros, a falta de alimentos e combustíveis. Determine um objetivo coerente, um valor a ser gasto, e adequado para o seu projeto de sobrevivência e intempestividades do cenário atual, ou, ao menos, de vida tranquila. Acompanhe-o periodicamente a evolução e faça com que aquilo cresça constantemente. Mude o seu estilo de vida e desprenda-se do consumo, gaste menos do que ganha e siga com essa mesma determinação. Entenda que há uma estrutura lógica: Rendimento, Poupança, Investimento e Simplicidade, mas, sobretudo, coerência.

*Rogério Favalli, especialista em financas e sócio diretor da FAVALLI Financial Quality Assurance

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