Criptomoedas ou tokens: qual é o futuro das finanças?

Criptomoedas ou tokens: qual é o futuro das finanças?

Cássio Rosas*

04 de junho de 2021 | 07h00

Cássio Rosas. FOTO: DIVULGAÇÃO

Em 2021, a Declaração do Imposto de Renda no Brasil trouxe uma novidade importante: códigos próprios para a descrição de moedas digitais. O fato exemplifica a importância atual desses ativos para investidores, empresas e consumidores, seja para potencializar a carteira de investimento, seja para negociações do dia a dia.

Entretanto, ainda se trata de um tema novo e recente na vida das pessoas – o que leva ao desconhecimento de algumas nuances importantes. A grande maioria, por exemplo, costuma se referir a todos os ativos do tipo como moedas digitais. Elas até podem compartilhar semelhanças importantes, mas há diversas categorias, como as criptomoedas e os tokens. Ambas dividem as atenções dos usuários e estão na vanguarda da transformação digital que ocorre com os pagamentos. Mas qual é melhor? Confira:

Criptomoedas originaram “universo cripto”

Se hoje as moedas digitais são consideradas investimento seguro em todo o mundo, atraindo a atenção de empresas e consumidores, é graças à consolidação das criptomoedas na última década. Elas são tão famosas que se tornaram (erroneamente) sinônimos para moedas digitais. A principal delas, evidentemente, é o bitcoin, a primeira do tipo que surgiu em 2008. Mas hoje existem outras opções tão valorizadas quanto, como ethereum e litecoin, que atraem grandes volumes financeiros.

A principal característica delas é a descentralização, Isto é, não estão vinculadas a nenhum órgão regulador, governo ou banco central – bem diferente das moedas tradicionais, como o real e o dólar. Por muito tempo, esse tópico era visto como um problema por investidores mais conservadores, mas hoje a situação se inverteu. Elas podem ser utilizadas tanto como ativo de investimento quanto em relações de compra e venda de produtos e serviços.

Tokens são ativos digitais e estimulam relações de troca

Eles são moedas digitais, mas não são criptomoedas. Parece confuso (e muitos acreditam que são iguais), mas há uma lógica que diferencia um conceito do outro. Os tokens são ativos digitais, no sentido de que carregam informações, transacionais ou não, pela web de uma ponta a outra. Normalmente são vinculados a empresas, que os utilizam em diferentes situações, como campanhas de marketing, autenticação de usuários, etc.

Há duas categorias principais para os tokens. Os de segurança (security) são aqueles que visam proteger informações meio de criptografia e a tecnologia blockchain. Já os de utilidade (utility tokens) são desenvolvidos para atender a uma função específica, como servir de moeda para campanhas de engajamento entre marca e consumidores – possibilitando a troca por produtos ou serviços.

E qual deles representa o futuro das finanças?

Apesar de suas diferenças, criptomoedas e tokens não estão em direções opostas. Na verdade, para aproveitar a metáfora, são dois lados da mesma moeda. Ou seja, se complementam e podem andar juntos na estratégia financeira das pessoas. As primeiras, mais tradicionais, tendem a ficar como reserva de valor na carteira de investidores – semelhante ao que é o ouro hoje. Já os tokens atendem muito bem ao dia a dia com sua usabilidade e troca para pagamentos e recompensas.

O importante é entender que o universo das moedas digitais é novo e enorme. Ainda há grande espaço para inovação e certamente novas soluções deverão surgir nos próximos meses e anos. A questão, portanto, não é saber qual dessas opções representa o futuro do mercado financeiro, mas sim se os usuários e as empresas estão se preparando para encarar este mundo em constante transformação.

*Cássio Rosas é diretor de contas Enterprise e Estratégia da Wiboo

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