Crime e segurança na capilaridade mundial

Crime e segurança na capilaridade mundial

Flavio Goldberg e Valmor Racorti*

22 de julho de 2021 | 12h00

Flavio Goldberg e Valmor Racorti. FOTOS: ARQUIVO PESSOAL

A organização de quadrilhas com o objetivo em praticas criminosas se baseia em alguns fundamentos consensuais: interesses comuns, facilidade da execução, estratégias afinizadas por praticas facilitadoras.

Historicamente, criminosos sempre exercitaram mecanismos de fugas pessoais, evasão de valores, imigração e transferência de populações como ferramentas de enfrentamento contra as organizações de Estado.

Aqui no Brasil tais movimentos tem sido constantes, principalmente, nas ultimas décadas, o que tem sido favorecido, ainda mais pela Internet, as redes sociais, enfim, o chamado mundo virtual.

Chama a atenção, como exemplo, o tráfico de drogas e a exploração sexual, principalmente, de mulheres, crianças, adolescentes, ou seja os mais vulneráveis, muito numerosos nas camadas mais pobres das populações.

É o chamado “mercado da carne humana” ou adocicando a linguagem a “economia do prazer” que junta milhares de bandidos, desde empresários e políticos da mais alta cúpula de governos até o assaltante de banco ou o sequestrador, permeabilizando de maneira cinematográfica agentes políticos e ideológicos, como vimos, recentemente, com o assassinato do presidente do Haiti.

O fato é que a imaginação criativa do crime não encontra limites geográficos ou de qualquer natureza pra consumar seus intentos. Escondidos atrás de organizações religiosas, correntes filosóficas, agencias do mercado, o negocio das artes plásticas, moda, intervenção nas oscilações de bolsa de valores, politicas de financiamento, entretenimento, enfim nada escapa aos processos e maquinações dos industriais do Terror que exerce efeito corrosivo sobre os sistemas civilizatórios e democráticos, conquistas sociais, duramente, alcançadas.

Para enfrentar as manipulações que rodeiam estas ameaças é preciso decodificar teses encomendadas que tentam justificar o crime, explicar a transgressão, num viés, aparentemente, cientifico.

Para isto só existe um recurso básico, a inteligência equipada, tecnologicamente, com cooperação internacional de prevenção informativa e punição rigorosa, demandando adequação do Poder Judiciário, a todas estas realidades.

Obviamente, como comprovado pela pandemia, em que bilhões de dólares, milhares de transações, todas com viés internacional, provam a urgência desta ponderação.

No universo em que as dimensões, o presencial e o virtual cada vez mais escondem e mascaram a preterincionalidade  dos comportamentos, urge programar códigos competentes para decifrar o “modus operandi” do Crime enquanto instância que se apresenta saga heróica do oprimido contra o opressor e que faz do carrasco vítima, da vítima culpada.

Um quadro que se acusa de teoria conspiratória é a rede de pedofilia que expõe a inocência dilacerada como objeto de sedução e, por isto, responsável pelo crime infame ou o traficante que “alivia” o usuário da privação da droga.

Em qualquer idioma ou circunstancia cabe aplicar o senso da simultaneidade e instantaneidade desempatando pela sanidade o poder mórbido que intoxica a cidadania, pela corrupção, o populismo, a exploração da fé pela vulnerabilidade e carência humana neste momento dramático em que a própria vida é desafiada.

*Flavio Goldberg, advogado e mestre em Direito

*Tenente-coronel Valmor Racorti, comandante do Batalhão de Operações Especiais de São Paulo

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