Crianças no front da segurança digital

Crianças no front da segurança digital

Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita*

21 de abril de 2019 | 12h00

Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita. FOTO: DIVULGAÇÃO

A segurança digital é fundamental para coibir a violência presencial e virtual que está na palma das mãos das crianças com os telefones celulares. Isso é relevante para pais, educadores e autoridades em geral. Para todos quem pensam nos impactos bons e, principalmente, ruins que teremos cada vez mais nos próximos anos.

Desde cedo é importante que os pequenos saibam que a internet não é terra sem lei. É um local virtual que é uma extensão da vida real. Nesse lugar virtual existem pessoas boas, aulas divertidas e programas educativos. Lá também existem criminosos, haters, traficantes, sequestradores, estelionatários e pedófilos. O papel do pai e da mãe é dizer para a Chapeuzinho Vermelho não andar na floresta, pois pode ser vítima do lobo mau.

Os pais podem, efetivamente, fazer o controle digital de seus filhos e monitoramento saudável dos acessos. Devem usar aplicativos e softwares de controle parental e realizar, constantemente, “blitz” no celular, computador e e-mails. A lei é clara: não existe invasão de privacidade entre pais e filhos menores de idade.

Ao se aceitar isso, a família pode orientar os filhos para uma utilização consciente e segura da internet. Até porque a verdade deve ser dita de acordo com a idade e maturidade da criança. E a escola tem o dever legal de informar e os pais tem o dever legal de educar.

Aos que tentam jogar a responsabilidade de fazer isso via máquinas, que fique registrado: os filtros e ferramentas de conteúdos fornecedores por ultra gigantes da tecnologias realmente funcionam e auxiliam, mas, enfatizo, a blitz presencial tem muito impacto na criação das crianças e prevenção de incidentes.

Outra coisa extremamente importante é muito diálogo e conversa. Mas não vale conversa por WhatsApp, tem que ser olho no olho.

A sociedade aparenta ter posto em segundo plano a consciência de que as crianças são mais vulneráveis à publicidade. Podem ver e ouvir de tudo, a qualquer momento, sem freios. De há muito, especialistas demonstram o quanto as crianças são vulneráveis, pois acreditam que é verdade o conteúdo que acessa.

Isso se tornou pior agora, pois as crianças de hoje são criadas por pais analógicos e por vezes frequentam escolas com pensamentos arcaicos que sequer sabem o que é compliance escolar. Para piorar, os adultos não possuem educação digital e querem que as crianças se portem com maturidade e sensatez. Isso é uma idiossincrasia e uma grande hipocrisia. Os adultos são os principais causadores de incidentes digitais e querem delegar os problemas para terceiros. Poucos querem assumir a responsabilidade e o trabalho de educar o filho, tirar o celular da mão dele e interagir com a escola.

Hoje, o concreto é que a internet pode contribuir para piorar situações de bullying. Um levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa (Ipsos) revelou que Brasil é o 2.º país com mais casos de cyberbullying contra crianças e adolescentes. Em situações críticas, é importante alertar crianças e adolescentes a não adicionar ao falar com estranhos em nenhuma plataforma digital. É importante que a escola e os pais ponha fim no mito Momo – não existe “fantasma digital”; o que existe são criminosos especializados no furto de dados de pessoas que insistem em fazer desafios perigosos, que colocam o patrimônio e a integridade física e psíquica em risco.

*Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita, advogada, sócia de SLM Advogados, professora Mestre pela PUC/SP e especialista em Direito e Educação Digital

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