Criação de delegacia para combater corrupção fortalece Polícia Civil

Criação de delegacia para combater corrupção fortalece Polícia Civil

Raquel Kobashi Gallinati*

11 de julho de 2019 | 13h04

Raquel Kobashi Gallinati. Foto: Arquivo Pessoal

O combate à corrupção no Brasil ganhou um importante aliado com o anúncio do ministro Sergio Moro sobre a necessidade de criação de delegacias de polícia focadas na investigação destes crimes. A Polícia Judiciária é amplamente capacitada para atuar nos casos de corrupção nos estados e é uma valiosa arma no combate aos crimes de colarinho branco, que nos últimos anos causaram um rombo enorme nos cofres públicos e trouxeram prejuízos estratosféricos à nação.

A medida anunciada pelo governo, que estabelece critérios para o rateio da verba do Fundo Nacional de Segurança entre os estados, mostra que o Brasil está finalmente caminhando na direção certa. E a Polícia Civil pode contribuir ativamente para ajudar a moralizar as instituições por meio de sua atribuição legal, que é a investigação de todos os tipos de crime.

Para se ter uma ideia dos danos provocados pela corrupção, somente os casos investigados pela Polícia Federal representaram um prejuízo de R$ 123 bilhões nos últimos quatro anos.

A PF prende uma pessoa por corrupção ou crime financeiro a cada nove horas no Brasil.

O número de detidos por crimes deste tipo aumentou quase 50% em 2018, na comparação com o ano anterior. Os números mostram que 922 pessoas foram presas por crimes do colarinho branco no ano passado, o maior número de detenções desde 2014.

É importante lembrar que, atualmente, apenas delegados de polícia de uma única delegacia do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), da Polícia Civil, têm a atribuição legal de investigar os crimes contra a administração pública, na Capital.

Um decreto assinado em maio de 2009 pelo então governador José Serra determinou que o trabalho de elucidação desses delitos fosse exclusividade do DPPC. Nos demais municípios, a investigação de tais crimes fica a cargo de outras unidades não especializadas. E é aí que o problema se acirra.

Nós sabemos que a falta de efetivo e deficiências estruturais prejudicam essas investigações fora da Capital. E essa nova norma do Ministério da Justiça vem fortalecer o combate à corrupção pela Polícia Civil. Com esse investimento, a instituição terá uma maior capacidade para atuar, livre de ingerências políticas.

A notícia do ministro vem em um momento em que a Polícia Civil paulista enfrenta uma série de dificuldades, como o maior deficit da sua história, mas se posiciona de forma cada vez mais indispensável para a sociedade e vem ganhando o apoio de vários setores para conseguir investir em capacitação de seus profissionais.

Prova disso é a criação do Fundo Especial para o Combate do Crime Organizado e a Lavagem de Dinheiro (FEPCCOLD), que investirá dinheiro recuperado do crime organizado em ações de combate à lavagem de dinheiro, por exemplo.

Os policiais buscaram alternativas à situação de penúria em que se encontra a instituição para continuar desempenhando o seu papel com excelência.

O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (SINDPESP) acredita fortemente que o governador João Doria, que já demonstrou ser conhecedor dos grandes problemas que enfrentamos enquanto Polícia Judiciária, reconhecendo inclusive a injustiça salarial que se acometeu sobre a instituição, poderá recompor as injustiças anteriores a nós infligidas e viabilizar a efetiva aplicação de recursos para o retorno ao povo paulista.

*Raquel Kobashi Gallinati, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo

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