Covid e ESG no topo da gestão de riscos para 2021

Covid e ESG no topo da gestão de riscos para 2021

Maria Antonietta Cervetto*

10 de janeiro de 2021 | 13h00

Maria Antonietta Cervetto. FOTO: DIVULGAÇÃO

Após enfrentar um ano totalmente atípico, com dificuldades severas e inesperadas, agora é preciso administrar um cenário ainda incerto para 2021. É fato que o segundo semestre tem apresentado uma recuperação consistente da economia, mas indicadores de uma segunda onda da pandemia e dúvidas sobre a capacidade e disposição do governo em estimular os negócios ainda não permitem pensar que a tempestade tenha passado.

É necessário considerar que 2021 ainda irá sofrer com os impactos e consequências econômicas da pandemia. Contudo, agora, é possível ter algum planejamento para se adaptar aos possíveis cenários, ao contrário de 2020, quando tudo era imprevisível. Mesmo assim, a Covid-19 ainda representa risco elevado, considerando que parte dos danos ainda é difícil de se estimar.

Além disso, ao que mais os negócios estarão expostos no ano que vem? Atravessamos a consolidação da relevância de aspectos ambientais, sociais e de governança (ESG) nos negócios. Consumidores e investidores têm adotado essa agenda e as empresas precisam demonstrar que estão legitimamente alinhadas com as preocupações da sociedade.

No setor de mineração, por exemplo, um grupo de cem grandes investidores globais com US$ 13 trilhões em ativos sob gestão definiu um padrão de risco para as atividades que aumenta a prevenção contra desastres ambientais. As medidas não são obrigatórias e nem preveem penalidades, mas o recado é claro, como escreveu o Valor Econômico: “as empresas que não se enquadrarem serão consideradas investimentos de risco”.

Nesse sentido, caminhamos para um futuro em que a sustentabilidade em seu sentido amplo – ambiental, social e econômica – será cada vez mais relevante. As empresas devem construir e deixar um legado para a sociedade.

Em pouco tempo, empresas não engajadas com as boas práticas ESG estarão extintas. Hoje, 84% do valor das empresas é relacionado a ativos intangíveis e a reputação é o mais importante, de acordo com a Rede Brasil do Pacto Global da ONU (Organização das Nações Unidas). A atuação no mapeamento e mitigação dos riscos, bem como nos planos de contenção e na conscientização de todos dentro da empresa e na sociedade em que ela está inserida é fundamental.

Mais do que nunca, o comportamento empresarial deve ser legalista, estar sempre respaldado por boas práticas baseadas em políticas de gestão de riscos, compliance e governança, que devem compor o alicerce para a sustentabilidade econômica, social e ambiental das Organizações. Essa orientação, com o discurso alinhado à prática, já é uma garantia de proteção e resiliência contra a maior parte dos riscos existentes.

Em 2021, observaremos um ecossistema empresarial complexo e ainda influenciado por uma pandemia global. É um ambiente em que é fundamental mapear as vulnerabilidades, desenhar cenários e consequências, criar e implementar programas de prevenção e mitigação envolvendo todos os stakeholders, baseado em uma cultura de gerenciamento de riscos em que todos compreendam a exposição das suas atividades. Assim, todos estaremos preparados para os melhores dias que virão.

*Maria Antonietta Cervetto, presidente do Grupo Cecil S/A – Metalurgia de não-ferrosos

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