Covid-19 nos negócios: empresas brasileiras se mostram favoráveis na promoção de ações de responsabilidade social corporativa

Covid-19 nos negócios: empresas brasileiras se mostram favoráveis na promoção de ações de responsabilidade social corporativa

Lylian Brandão*

14 de julho de 2020 | 12h51

Lylian Brandão. Foto: Divulgação

Não há espaço para omissão. A crise da covid-19 tem impacto em diferentes âmbitos, afeta a sociedade e as empresas em todos os países. É uma crise global e a forma como vamos reagir irá refletir em nosso futuro. 

Todos os setores da sociedade terão de fazer escolhas, já que estamos em um período de grande transformação, saindo de uma visão individualista para uma conscientização de nossa interdependência e do importante papel das empresas, também, como agentes sociais.

Quando analisamos o resultado de uma pesquisa realizada em maio 2020, em 11 países, a qual abordou 403 executivos de Comunicação sobre o impacto da crise do novo coronavírus nas empresas, o Brasil aparece como o mais pessimista em relação ao cenário econômico. Os entrevistados brasileiros são a maioria dos que acreditam que os resultados cairão e que haverá necessidade de ajustar o quadro de funcionários de maneira proporcional. 

Por outro lado, os responsáveis pela comunicação das empresas brasileiras demonstram um perfil mais ativo em promover ações de Responsabilidade Corporativa, e consideram personificar a resposta da empresa no líder para obter um maior impacto e aceitação.

O cenário está mudando radicalmente e exige um posicionamento muito claro das empresas na contribuição para a sociedade. É preciso resgatar os valores e traduzi-los em ações. O que levaria anos, implementou-se em poucas semanas, as prioridades mudaram, o consumo, o lazer, a cultura, os hábitos e, principalmente, a forma como as pessoas e empresas se relacionam.

E nesse panorama atual, a pesquisa alerta para a importância das empresas como agentes sociais e a necessidade de transformação e adequação de forma ativa e colaborativa. 

Um ponto que também chama atenção na pesquisa diz respeito ao impacto da crise na identificação dos colaboradores e o orgulho de pertencer às corporações. Os entrevistados das empresas brasileiras acreditam que esta identificação se reforçará, o maior resultado entre todos os países pesquisados.

Nunca foi tão importante para as empresas esse olhar sistêmico frente aos stakeholders (grupos de relacionamento), na busca de soluções, com empatia e solidariedade. O momento é de desafio pela sobrevivência dos negócios mas o que se espera das empresas e de seus líderes é uma atitude social.

*Lylian Brandão é diretora Geral da Merco no Brasil, monitor corporativo de referência na América Latina e Espanha, que avalia a reputação das empresas desde 2000. 

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