Covid-19: é o momento de empresas brasileiras pensarem em internacionalização?

Covid-19: é o momento de empresas brasileiras pensarem em internacionalização?

Elaine Guedes*

19 de novembro de 2020 | 04h00

Elaine Guedes. FOTO: DIVULGAÇÃO

A pandemia de Covid-19 ampliou nosso vocabulário. Termos como coronavírus, quarentena, autoisolamento, “novo normal”, assintomático e EPI passaram a fazer parte do nosso dia a dia. Mas uma palavra que já conhecíamos bem antes de tudo isso começar, que tem sido uma das maiores preocupações das empresas brasileiras, é “incerteza”.

Em seu significado mais simples, incerteza é uma dúvida em relação a um fato passado, presente ou futuro. Para o empresário, mais especificamente, sobre o futuro de seu negócio com o advento da Covid-19. É claro que o momento atual desencoraja empresas a correr altos riscos, em especial a internacionalização. Mas, como provocação, podemos questionar: a incerteza não faz parte dos riscos do negócio – com ou sem pandemia?

Há um outro lado que a crise também nos revela: o das oportunidades. A pandemia está mudando o perfil de consumo no mundo, agilizando processos digitais, alterando a credibilidade das organizações, valorizando a inovação e premiando o planejamento. Tudo isso é um ganho da internacionalização, com um benefício extra: a própria diversificação de riscos, já que os contextos econômicos e cambiais, sociais, políticos e tributários são diferentes em cada país.

Então, agora é a hora de internacionalizar? Para responder a essa pergunta, é preciso entender que a pandemia é um fator importante a ser pensado, mas de longe não é o único. O melhor momento é aquele em que as empresas estejam preparadas para mapear todas as operações envolvidas, desde aspectos comerciais, mercados e portfólios almejados a questões logísticas, tributárias e legais.

Com base nesse estudo, é possível julgar se o apetite de investir no esforço de “desbravar” novos negócios, em novas culturas e comportamentos de consumo vale a pena. A oportunidade é proporcional ao risco e, portanto, cada empresa precisa avaliar o seu apetite para o novo.

Esse processo precisa envolver um profundo entendimento do mercado-alvo. Para isso, é essencial a escolha de pessoas certas no projeto, que vão desde consultores a colaboradores brasileiros ou regionais que efetivamente mergulhem nessa descoberta.

Se uma a empresa pensar em crescimento orgânico de exportação, o caminho mais fácil seria ampliar a atuação dos mercados atendidos no Brasil, para expansão internacional, com a expectativa de aproveitar a expertise, estrutura e experiência já adquirida no mercado nacional.

Por outro lado, se a ideia é diversificar o risco, por meio de joint-ventures, franquias ou até produção e investimento local, há uma liberdade maior na escolha de mercados alternativos, porém, mais dependente de gestão especializada a ser contratada ou desenvolvida localmente.

O fator incerteza, que é emocional, sempre existirá, com ou sem pandemia, ao se pensar em internacionalização de uma empresa. Retirá-lo nesse planejamento inicial é uma das principais dicas para elaborar um projeto de forma mais efetiva. Ou seja, defina seu segmento de atuação, o modelo escolhido e, principalmente, tamanho do investimento versus expectativas de retorno. E não confunda incerteza com análise de riscos, esta essencial para o processo.

No pós-pandemia, as empresas que se adaptaram mais rápido e aproveitaram melhor as oportunidades serão aquelas que terão mais chances de sucesso com essa transformação do perfil de consumo e mercado. Isso é certeza.

*Elaine Guedes, diretora comercial da Montana Química

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