Costa aponta operador de lobista do PMDB na Suíça

Ex-diretor da Petrobrás revela à PF que foi apresentado a 'Diego', que residia no país europeu e cuidava das operações financeiras do lobista que operava para o PMDB

Redação

23 de janeiro de 2015 | 03h00

Por Mateus Coutinho, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

Fernando Baiano faz exame de corpo de delito em Curitiba

Baiano teria apresentado operador à Costa durante viagem

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, delator da Operação Lava Jato, apontou à Polícia Federal a atuação de um dos operadores na Suíça que trabalhava para o lobista do PMDB Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano. Costa afirmou que “por volta de 2007 ou 2008” esteve com Fernando Baiano em Liechteinstein, oportunidade em que conheceu “Diego”, “que morava na Suíça e vinha ao Brasil uma vez ao ano, aproximadamente.

Segundo o ex-diretor, Diego “era quem cuidava das operações financeiras no exterior no interesse de Fernando Baiano”. Em seu depoimento, Costa afirma ainda que foi nessa viagem com Baiano para Liechteinstein que recebeu US$ 1,5 milhão no Vilartes Bank para “não atrapalhar” a compra de Pasadena pela Petrobrás

É a primeira vez que surge um nome de um envolvido no esquema atuando no país europeu, para onde a força-tarefa da Lava Jato levou, no começo desta semana, oito procuradores e peritos. O objetivo da equipe, a maior já encaminhada ao país, é buscar documentos e extratos bancários que possam reconstruir a relação entre a Odebrecht e contas de ex-dirigentes da Petrobrás bloqueadas na Suíça e fazer investigar se os delatores possuem outras contas além das já reveladas à Justiça.

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A colaboração com o país europeu tem sido uma aposta importante da força-tarefa da Lava Jato para identificar novos envolvidos no escândalo e rastrear a movimentação e o destino dos valores desviados no esquema bilionário revelado pela operação.

O ex-diretor é um dos que têm suas contas rastreadas. O executivo informou a existência de cinco contas controladas por ele com saldo de US$ 26 milhões na Suíça. Se for descoberto que ele tem mais dinheiro do que o comunicado à Justiça, o ex-diretor pode perder o direito a cumprir a pena em casa.

Além dele, entre os 11 réus que aceitaram contar à Justiça o que sabem em troca de redução das penas, estão também o doleiro Alberto Youssef, braço financeiro do esquema desbaratado pela Lava Jato, os empresários Julio Camargo e Augusto Mendonça, da Toyo Setal, e Pedro Barusco, ex-gerente da Diretoria de Serviços da Petrobrás.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE FERNANDO BAIANO

Em depoimentos à Polícia Federal, Fernando Baiano negou que tenha pago propina na Petrobrás. O criminalista Nélio Machado, que o defende, afirmou que só vai se manifestar sobre o teor dos depoimentos de Paulo Roberto Costa no âmbito de seu acordo de delação após ter acesso à íntegra do teor dos depoimentos.

COM A PALAVRA, O PMDB

O partido vem negando que tenha participado do esquema de pagamento de propinas na Petrobrás e também nega que Fernando Baiano seja operador da sigla.

 

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