Corte de Paris abre julgamento de recurso de Maluf contra condenação por lavagem de dinheiro

Corte de Paris abre julgamento de recurso de Maluf contra condenação por lavagem de dinheiro

Deputado pelo PP, ex-prefeito de São Paulo, tenta reverter punição de três anos de prisão imposta a ele, à mulher Sylvia e ao filho mais velho Flávio pela Justiça francesa em outubro de 2015

Fausto Macedo, Julia Affonso e Mateus Coutinho

06 Março 2017 | 18h15

Dida Sampaio/Estadão - 07.08.2014

Dida Sampaio/Estadão – 07.08.2014

A Corte de Apelações de Paris iniciou nesta segunda-feira, 6, o julgamento do recurso do deputado Paulo Maluf (PP/SP) contra sua condenação na França. O julgamento deve durar três dias.

Maluf, ex-prefeito de São Paulo (1993/1996), foi condenado pela Justiça francesa em outubro de 2015 a três anos de prisão por lavagem de dinheiro – crime que teria praticado no período entre 1996 e 2003.

Contra a condenação, a defesa de Maluf ingressou com recurso perante a Corte de Apelações de Paris.
Neste primeiro dia de julgamento, depôs a jurista brasileira Ada Pellegrini Grinover. Ela foi à Corte como expert testemunha e expôs teses jurídicas do Brasil que se aplicam ao direito francês. A Corte ouviu Ada com muita atenção. Ela entregou aos magistrados um parecer por escrito.

Na mesma ação, além de Maluf, a Justiça francesa condenou sua mulher Sylvia Lutfalla Maluf e o filho mais velho do casal Flávio Maluf, pelo mesmo crime. A sentença determinou ainda o confisco de 1.844.623,33 euros em contas do deputado e de seus familiares. Além disso, à família foram impostas multas que somam 500 mil euros.

Segundo a Justiça francesa, Maluf, a mulher e o filho ‘agiram em associação para ocultar a origem de recursos’ que tiveram origem em ato de corrupção e desvio de dinheiro no Brasil na época em que Maluf era prefeito de São Paulo.

Na sentença são citadas as obras do túnel Ayrton Senna e da avenida Água Espraiada, sob suspeita de superfaturamento segundo as investigações no Brasil e de onde teriam saído os valores para as contas no exterior. O parlamentar e seus familiares segundo a justiça francesa, são acusados de enviar o dinheiro dos crimes para empresas offshore e contas em bancos no exterior.

Um escritório de advocacia parisiense está encarregado da defesa de Maluf.

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