Corretora de valores girou R$ 6 mi de alvos da Lava Jato, aponta força-tarefa

Corretora de valores girou R$ 6 mi de alvos da Lava Jato, aponta força-tarefa

Operação Paralelo, 39ª fase da investigação, fez busca e apreensão em endereços de pessoas físicas e jurídicas ligadas à Advalor e a um dos sócios Miguel Julio Lopes

Luiz Vassallo, Julia Affonso, Ricardo Brandt, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

28 Março 2017 | 12h28

 

DELAÇÃO MARIO GOES

Trecho da delação de Mário Goes

A força-tarefa da Operação Lava Jato afirmou nesta terça-feira, 28, que a corretora de valores Advalor Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda, alvo da Operação Paralelo, 39ª fase da investigação, movimentou mais de R$ 6 milhões entre 2010 e 2014. Os valores estariam ligados a investigados da Lava Jato. Segundo a força-tarefa, a agência simulava importações que não existiam para fazer remessas ao exterior.

A Operação Paralelo, 39ª fase da Lava Jato, deflagrada nesta terça-feira, cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços de pessoas físicas e jurídicas ligadas à Advalor. Segundo a investigação, a corretora teria ajudado a fazer remessas ao exterior e colaborado para lavagem de dinheiro de propinas.

A Paralelo fez busca e apreensão também em endereços ligados ao sócio do grupo Advalor, Miguel Julio Lopes. O executivo da corretora é apontado em delações premiadas como intermediário no pagamento de propinas oriundas de contratos firmados entre a Petrobrás e construtoras do esquema de cartel. O executivo, segundo as investigações, era responsável por fazer remessas ao exterior para abastecer contas ligadas aos esquemas.

Nesta etapa, foi preso preventivamente o ex-gerente da estatal Roberto Gonçalves, que, segundo a Polícia Federal, recebia vantagens indevidas da Odebrecht e da UTC Engenharia por meio do operador Mário Góes.

Mário Góes relatou, em delação premiada, ter usado a Advalor para transferir valores a destinatários de propinas. Outro delator que também disse ter se utilizado da agência foi o ex-gerente executivo de Engenharia da Petrobrás Pedro Barusco.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, a corretora chegou a ser intimada para apresentar documentos que comprovassem as delações premiadas. No entanto, teria repassado apenas a “parte lícita” das operações de câmbio feitas para o delator Mário Gois. O operador teria contestado, em delação premiada, os comprovantes, alegando que a parte “suja” das operações não foi revelada pela empresa. Em coletiva à imprensa, a Polícia Federal afirma que a ocultação das operações supostamente ilícitas motivou a busca e apreensão contra a a Advalor e os sócios envolvidos.

Em coletiva à imprensa, a força-tarefa da Lava Jato afirma que, apesar das investigações, a Advalor opera de maneira regular. O foco das investigações está nas atividades de Miguel Julio Lopes, apontado por delações premiadas como o contato, dentro da empresa, para intermediar repasses ilícitos.

A força-tarefa da Lava Jato ainda informou ter recuperado R$ 4 milhões de dólares por meio de um acordo de cooperação com autoridades Suíças. Segundo as investigações, a partir de 2014, o ex-gerente executivo da Petrobrás Roberto Gonçalves, preso nesta terça-feira, 28, começou a “dissipar” propinas recebidas em bancos suíços, distribuindo-as em contas nas Bahamas e outros paraísos fiscais.

COM A PALAVRA, A ADVALOR

“A agência Advalor afirma que todas as operações são lícitas e contabilizadas, o que será comprovado pelas autoridades”.