Corregedoria vai investigar chefe de operação que diz ‘não querer trabalhar’

Corregedoria vai investigar chefe de operação que diz ‘não querer trabalhar’

A Operação Greenfield investiga fraudes bilionárias em fundos de pensão

Breno Pires e Patrik Camporez/ BRASÍLIA

21 de dezembro de 2020 | 21h03

Vista aérea da Procuradoria-Geral da República em Brasília. Foto: Dida Sampaio/Estadão

A Corregedoria-Geral do Ministério Público Federal (MPF) decidiu abrir um procedimento de investigação e cobrar explicações  do novo coordenador da Operação Greenfield, o procurador Celso Tres, que enviou um ofício à Procuradoria Geral da República (PGR) dizendo que “não quer trabalhar” e que pretende encerrar o caso.
A Operação Greenfield investiga fraudes bilionárias em fundos de pensão. Ao Estadão, a corregedora-geral, Elizeta Paiva,disse que um pedido de informações já está sendo preparado com o objetivo de “preparar para um inquérito disciplinar” contra Celso Tres. No ofício encaminhado à PGR, Tres afirma que  “não está aqui para trabalhar muito” e sugere encerrar investigações em andamento.

Celso Três foi nomeado recentemente pela PGR para comandar o caso. Em seu ofício, ele recusa a dar prosseguimento às investigações em andamento, sugere que sejam celebrados acordos apenas com os alvos investigados e que a Polícia Federal passe a ser responsável por concentrar os trabalhos.

Em entrevista ao Estadão, o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Fábio George Cruz da Nóbrega, criticou duramente a postura do chefe da Greenfield e disse que “as declarações (dele, por ofício) são inaceitáveis e causaram uma forte reação negativa, um sentimento de indignação em toda a carreira”.

Nóbrega ainda defendeu que a PGR mantenha os grupos de Procuradores atuando “com exclusividade e com adequada estrutura de trabalho”, nos casos mais importantes e mais complexos.

“Não há como compatibilizar trabalhos dessa magnitude com colegas atuando sem exclusividade e sem apoio, acumulando outros encargos e atribuições. O modelo de trabalho das forças tarefas em todos os países desenvolvidos é assim, para as grandes operações de combate à corrupção e à criminalidade organizada”.

De acordo com a ANPR, no Brasil, até o primeiro trimestre de 2020, as 23 forças-tarefas em atuação no MPF foram responsáveis por 319 ações criminais e 90 ações civis. O trabalho dos procuradores ainda possibilitou a realização de 300 acordos de colaboração premiada e 26 de leniência, com mais de R$ 5 bilhões recuperados aos cofres públicos, além de “potencial de reversão” de outros R$ 30 bilhões.

“Como todo trabalho dessa amplitude, as forças-tarefas devem ser reavaliadas e aperfeiçoadas constantemente. No entanto, há pilares que, necessariamente, sustentam sua eficiência. A estrutura adequada, material e humana, precisa ser garantida”, disse Fábio, acrescentando: “Da mesma forma, é imprescindível que os profissionais escolhidos tenham dedicação exclusiva e compromisso diuturno com as melhores práticas de investigação.”

O ofício encaminhado por Celso Tres foi recebido, na última quinta-feira (17), pela Câmara de Coordenação e Revisão do MPF. O assunto será analisado e tratado, pelo órgão  colegiado, diretamente com o procurador natural do caso, Celso Três.

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