Corregedor do TSE manda Bolsonaro explicar declarações sobre fraudes nas eleições

Corregedor do TSE manda Bolsonaro explicar declarações sobre fraudes nas eleições

Ministro Luís Felipe Salomão deu prazo de 15 dias para o presidente enviar resposta e abriu procedimento administrativo para apurar se há elementos concretos que possam ter comprometido os pleitos de 2018 e 2020

Rayssa Motta e Fausto Macedo

21 de junho de 2021 | 19h44

O ministro Luís Felipe Salomão, corregedor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deu 15 dias para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) explicar as declarações recorrentes sobre fraudes nas eleições. A determinação também vale para outras autoridades que tenham levantado suspeitas semelhantes.

Em portaria assinada nesta segunda-feira, 21, o ministro ainda determinou a abertura de um procedimento administrativo para apurar a existência ou não de elementos concretos que possam ter comprometido os pleitos de 2018 e 2020. Segundo o texto, o objetivo é aprimorar o sistema de votação para as eleições do ano que vem.

Ao determinar a apuração, o ministro afirmou que a credibilidade do sistema eleitoral ‘constituiu pressuposto necessário à preservação da estabilidade democrática e a manutenção da normalidade constitucional’.

O presidente Jair Bolsonaro deixa o Palácio do Alvorada, em Brasília. Foto: Gabriela Biló/Estadão

O procedimento foi aberto com base em declarações de Bolsonaro, do candidato à presidência derrotado nas eleições de 2018, Cabo Daciolo, e do deputado estadual paulista Castello Branco de Luca. Eles também deverão prestar informações ao TSE.

Sobre a eleição de 2018, Bolsonaro disse ter provas de fraudes que lhe tiraram uma vitória em primeiro turno. Até hoje, porém, não apresentou qualquer evidência. Após a invasão ao Capitólio por extremistas inconformados com a derrota de Donald Trump nos Estados Unidos, o presidente afirmou que, se não houver voto impresso em 2022, o Brasil pode ter um ‘problema pior’.

Na semana passada, o partido Rede Sustentabilidade entrou com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal pedindo que Bolsonaro seja multado em R$ 100 mil caso não apresente provas das suspeitas levantadas sobre o sistema eletrônico de votação.

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