Corregedor do Ministério Público abre apuração sobre vazamento de ‘amigo do amigo do meu pai’

Corregedor do Ministério Público abre apuração sobre vazamento de ‘amigo do amigo do meu pai’

Orlando Rochadel atende pedido do conselheiro Luiz Fernando Bandeira de Mello, representante do Senado no Conselho Nacional do MP

Rafael Moraes Moura e Breno Pires/ BRASÍLIA

16 de abril de 2019 | 18h55

Orlando Rochadel. Foto: Sérgio Almeida (Ascom/CNMP)

O corregedor nacional do Ministério Público, Orlando Rochadel Moreira, decidiu nesta terça-feira, 16, abrir uma apuração sobre o vazamento de documento em que o empreiteiro Marcelo Odebrecht afirma que o codinome ‘o amigo do amigo do meu pai’ se refere ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli.

A decisão do corregedor atende a pedido do conselheiro Luiz Fernando Bandeira de Mello, representante do Senado no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que acredita que, se houver responsabilidade de membro ou servidor do Ministério Público na divulgação do documento sobre Toffoli, ‘é indispensável a apuração e adoção das medidas disciplinares cabíveis’.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou à revista Crusoé e ao site O Antagonista que retirassem ‘imediatamente’ do ar a matéria que cita Toffoli com base em documento da Lava Jato – o empreiteiro Marcelo Odebrecht, ao utilizar o codinome em mensagem a executivos da empresa, disse à força-tarefa da operação que se referia a Dias Toffoli, na época advogado-geral da União, e a Lula, quando se referia ao “amigo do amigo do meu pai”.

“Considerando que os elementos de informação constantes não permitem identificar de plano a identidade dos Membros que participaram ou tiveram acesso aos autos do processo judicial de onde se originaram as informações sigilosas, imperioso diligenciar nesse sentido”, observou o corregedor nacional do Ministério Público, Orlando Rochadel Moreira.

“Torna-se necessário o auxílio da Corregedoria-Geral do Ministério Público Federal para identificar a composição dos grupos de trabalho da Operação Lava Jato que atuaram no processo judicial e/ou recepcionaram informações do colaborador Marcelo Odebrecht relativamente ao caso noticiado pelo Exmo. Conselheiro representante”, completou o corregedor.

Em sua decisão, o corregedor notificou a Corregedoria-Geral do Ministério Público Federal para informar dentro de 10 dias a composição de membros da Operação Lava Jato com acesso ao documento mencionado na reportagem de Crusoé no intuito de rastrear quem seria o autor do suposto vazamento.