Corrêa diz que ‘Lula sabia’, defesa ‘tumultua’ e Moro interrompe audiência

Juiz da Lava Jato registra que 'inúmeros incidentes levantados por defesa' do ex-presidente, que bateu-boca com magistrado, levaram a adiamento de um dos quatro testemunhos de delatores em processo do tríplex do Guarujá

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Fausto Macedo, Mateus Coutinho e Julia Affonso

24 de novembro de 2016 | 04h14

correalula

O ex-deputado federal Pedro Corrêa confirmou ao juiz federal Sérgio Moro, nesta quarta-feira, 23, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “sabia” do esquema de arrecadação de recursos na Petrobrás por partidos da base aliada, em especial o PT, PMDB e o PP. Ele foi ouvido em audiência tomada por discussões entre a defesa do petista e o magistrado, no processo em que o petista é réu pelo recebimento de R$ 3,7 milhões em propinas da OAS, no caso do apartamento tríplex do Guarujá (SP).

“Em 2006 eu fui procurar o presidente Lula para tratar de assunto financeiro, de dinheiro, de ajuda de campanha. E ele disse que nós não precisávamos de dinheiro porque estávamos muito bem atendidos financeiramente pelo senhor Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás), que ele sabia, porque o Paulinho dizia isso a ele. Ele foi muito claro, nessa posição”, afirmou Corrêa.

A audiência não pode ser concluída integralmente em decorrência de “inúmeros incidentes levantados pela defesa”, conforme registrou o juiz federal Sérgio Moro, no depoimento do ex-deputados federal Pedro Corrêa (ex-presidente do PP). Das quatro testemunhas de acusação elencados pela força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba, contra Lula, para serem ouvidos nesta quarta-feira, foram ouvidos ainda o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa e o ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco – ambos, delatores. O quarto interrogado, será ouvido amanhã, às 11h.

“Em vista dos inúmeros incidentes levantados pela Defesa de Luiz Inácio Marisa Letícia que impediram normal colheita do depoimento da testemunha Pedro Corrêa, não foi possível encerrar as oitivas na presente data”, registrou Moto, no termo de audiência.

Alta tensão. Na mesma linha da primeira audiência do processo contra Lula, em Curitiba, marcada por 29 embates entre defesa, juiz e procuradores, as oitivas de ontem foram tomadas por interrupções dos depoimentos. Em pelo menos dois momentos, Moro determinou a interrupção da audiência.

“É inapropriado esse comportamento processual da defesa, é inadequado. Eu peço que voltem às questões a serem colocadas à testemunha, e parem de tumultuar a audiência”, afirmou Moro.

De forma alguma estamos tumultuando a audiência”, respondeu Martins. Ele pediu suspeição do juiz, que já foi feita no processo e negada.

“Parem de tumultuar a audiência”, pediu Moro, em um dos embates com a defesa de Lula.

O depoimento de Corrêa foi o primeiro, mais longo e mais tumultuado do dia. Em processo de delação premiada, o ex-deputado – preso desde 10 de abril de 2015, em Curitiba – acusa Lula de envolvimento no esquema de divisão de cargos na Petrobrás entre partidos da base aliada para arrecadação de propinas.

Os advogados de Lula, Cristiano Zanin Martins, José Roberto Batochio e José Cirino dos Santos, interromperam o interrogatório da testemunha e bateram-boca com o juiz. A audiência de Corrêa chegou a ser interrompida por duas vezes por Moro, na mais tensa oitiva de testemunhas da Lava Jato – nesses 2 anos e 8 meses de investigações.

Eles questionaram a validade das declarações de Pedro Corrêa, que foi chamado de “meia testemunha” pela defesa de Lula.

O ex-deputado está preso em Curitiba, desde que foi capturado na 11ª etapa da Lava Jato denominada “A Origem”. Ele foi condenado por Moro em outro processo pelo recebimento de propina de R$ 11,7 milhões, 72 crimes de corrupção passiva, e 328 operações de lavagem de dinheiro.

“Eu sou bi preso, fui preso no mensalão e na Lava Jato”, afirmou Corrêa.

Desde o final de 2015, ele negocia um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato, que ainda não foi homologado pelo ministro Teori Zavascki, dos processos no Supremo Tribunal Federal (STF).

 

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