Corpo de Capitão Adriano é exumado e vai passar por novos exames

Corpo de Capitão Adriano é exumado e vai passar por novos exames

Pepita Ortega e Tailane Muniz, Especial para o Estadão

13 de julho de 2021 | 13h33

Ex-capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado como líder do grupo miliciano Escritório do Crime. Foto: Polícia Civil

O corpo do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, conhecido como Capitão Adriano, foi exumado nesta segunda-feira, 12, a pedido do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), com autorização dos tribunais de Justiça do Rio e da Bahia. Ligado à família Bolsonaro, o miliciano foi morto em fevereiro de 2020, no município de Esplanada, a cerca de 160 km de Salvador, após operação conjunta entre a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e da Secretaria de Polícia Civil do Rio de Janeiro (Sepol).

Os novos exames ainda não ficaram prontos mas, segundo afirmou o MP-BA, têm o objetivo de detalhar as lesões provocadas pelos tiros, a fim de esclarecer com precisão as circunstâncias da morte. A reportagem procurou o Departamento de Polícia Técnica (DPT) do Rio para mais detalhes, mas ainda não obteve retorno.

O corpo de Adriano já passou por duas necropsias que indicaram que o miliciano foi morto por dois tiros de fuzil, disparados a, no mínimo, um metro e meio de distância. Laudo do Instituto Médico Legal do Rio indicou ainda que o miliciano tinha nas costelas fraturas compatíveis com tiros e não apresentava “lesões violentas” – que poderiam indicar tortura.

À época em que os primeiros exames foram divulgados, o diretor do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco), delegado Marcelo Sansão, disse que a conclusão do inquérito teve como base uma reprodução simulada, além de testemunhos e exames do DPT. Um dos responsáveis pela produção simulada, o perito criminal José Carlos Montenegro reforçou que os policiais foram ouvidos separadamente e ainda que o miliciano disparou sete vezes, sendo que dois projéteis atingiram o escudo dos policiais e os demais a parede e uma janela do sítio em que estava escondido.

Adriano era apontado por investigadores do Rio como chefe do Escritório do Crime, milícia  especializada em homicídios por encomenda e ligada a Ronnie Lessa, ex-PM preso sob acusação de ter matado a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, em março de 2018. No entanto, a apuração mais sensível contra o miliciano era a que mira suposto esquema de ‘rachadinha’ no gabinete do senador Flávio Bolsonaro, filho ’01’ do presidente, à época em que ocupava uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio.

De acordo com as investigações do Ministério Público do Rio, Adriano integrava ‘o núcleo executivo da organização criminosa’ denunciada, célula do grupo que era liderada pelo senador Flávio Bolsonaro. A mãe do miliciano, Raimunda Veras Magalhães, e a ex-mulher Danielle Mendonça da Costa foram assessoras do então deputado. Os investigadores apontam ainda ao menos sete ligações entre o miliciano e o ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz, suposto operador do esquema instalado no gabinete do filho mais velho do presidente.

Em 2005, o ex-capitão do Bope chegou a ser condecorado por Flávio com a Medalha Tiradentes, considerada a maior honraria do fluminense. Após a morte, tanto Flávio quanto o pai, o presidente Jair Bolsonaro (Patriota), afirmaram que Adriano havia sido “vítima de execução com o apoio do governo da Bahia”.

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