Coronel Lima acusa delator da J&F de manipular provas

Coronel Lima acusa delator da J&F de manipular provas

Defesa pede que delação de Ricardo Saud seja anulada e que processo em que emedebistas são investigados por organização criminosa seja paralisado até o STF decidir sobre a anulação do acordo de executivos da J&F

Fabio Serapião e Fausto Macedo

27 de agosto de 2018 | 06h00

A defesa de João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, afirma em petição encaminhado à Justiça Federal em Brasília que o ex-diretor de Relações Institucionais da JBS Ricardo Saud manipulou provas para inserir o nome do amigo do presidente Michel Temer em sua delação. A posição da defesa consta em resposta à acusação do Ministério Público Federal (MPF) no âmbito do processo derivado da operação Patmos e que mira o chamado “quadrilhão do MDB”.

O coronel Lima foi denunciado ao lado de emedebistas como Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves e Rodrigo Rocha Loures por organização criminosa. O amigo de Temer é apontado por delatores da J&F como destinatário de R$ 1 milhão de um total de R$ 15 milhões que havia sido prometido ao então vice-presidente da República. O caso tramitava, até a última semana, na 12ª Vara Federal em Brasília, mas após decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª região (TRF-1) deve voltar ao juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara.

A manipulação, diz a defesa, foi exposta em uma interceptação telefônica em que Saud conversa com um interlocutor de nome Rodolpho. No grampo, o delator pede para que o nome o ex-assessor de Temer, o advogado José Yunes, seja retirado de um relatório para que fosse incluído o do Coronel.

A interceptação telefônica foi revelado pelo Estado. O interlocutor da conversa, como mostrou a reportagem, era  Rodolpho Chiarelli, delegado do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil de São Paulo, e sócio da SCR Consultoria de Segurança e Investigações, que foi contratada pelo grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Á época da publicação, a Secretaria de Segurança de São PAulo informou que o delegado era sócioda SCR e que havia explicado ao órgão que “houve um pedido de orientação do empresário e não produziu nenhum relatório ou investigação.”

Além da conversa com a menção da troca de nomes, os advogados citam uma anotação feita pelo próprio Saud e entregue como prova de corroboração em sua delação em que ele aparece o valor de R$ 1 milhão e a seguinte explicação: “Temer pede para entregar ao Sr. Yunes o valor em espécie. Florisvaldo entregou pessoalmente a ele”.

“Sem adentrar no mérito se realmente teria o acusado Yunes recebido ou não os tais recursos, o fato é que Não há qualquer menção ao peticionário ( no caso, o coronel Lima)”, diz o documento.

Procurada, a J&F disse que não se manifestaria sobre o caso.

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