Coronel do Exército preso em flagrante por vender 166 armas a clube de tiro por R$ 90 mil

Coronel do Exército preso em flagrante por vender 166 armas a clube de tiro por R$ 90 mil

Juíza da 2.ª Auditoria da 1.ª Circunscrição Judiciária Militar decretou nesta quinta, 25, a prisão preventiva de Alexandre de Almeida

Luiz Vassallo/SÃO PAULO e Rafael Moraes Moura/BRASÍLIA

25 de abril de 2019 | 19h37

Coronel Alexandre de Almeida. Foto: Felipe Cavalcanti/EXÉRCITO

O tenente-coronel do Exército Alexandre de Almeida foi preso em flagrante na terça, 23, acusado de vender 166 armas de diversos calibres a um clube de tiro em Vila Velha, Espírito Santo. Nos autos do processo, o dono do clube de tiro ‘Guerreiros’ admitiu ter pago R$ 90 mil em diversas parcelas em espécie ao militar. Ele era o responsável pela fiscalização dos clubes de tiro e controlava o arsenal do Exército.

Documento

Nesta quinta, 25, o coronel teve a prisão preventiva decretada pela juíza Maria Placidina de Azevedo Barbosa Araújo, da 2.ª Auditoria da 1.ª Circunscrição Judiciária Militar.

“Há documentação nos autos comprovando a posse anterior do indiciado, Tenente Coronel Almeida, e de seu irmão, de diversas armas brasonadas, entregues no SFPC/1, no período da chefia do indiciado, para serem destruídas, mas foram desviadas até chegarem à posse da empresa Guerreiros, do modo relatado acima pelo Marcos Antonio Loureiro de Souza”, consta no auto de prisão em flagrante.

A magistrada ressalta que, com o início das investigações e as visitas dos militares à empresa Guerreiros, o coronel orientou o dono do clube de tiro ‘a ocultar informações, falsear a verdade e esconder objetos, em clara obstrução à investigação e criando risco para a conveniência da instrução criminal’.

A magistrada ainda afirma que ‘seu atuar serve de esteio para toda a tropa, pelo que, com os fatos, ficam abaladas as normas ou princípios de hierarquia e disciplina militares’.

“Desse modo, a liberdade do indiciado poderá comprometer a colheita de provas e realização de diligências, havendo indícios de que o oficial envidou esforços para ocultar provas”, escreveu.

A juíza da 2.ª Auditoria da 1.ª Circunscrição Judiciária Militar registra que ‘nas conversas entre o indiciado e o sr. Marcos, fornecidas por este último, comprovam-se instruções fornecidas pelo TC Almeida com o objetivo de ocultar os armamentos buscados pelos militares, em clara obstrução à ação da administração militar e desta Justiça’.

“No termo de busca e apreensão realizado na empresa Guerreiros, foram relatadas ausências de armas, que deveriam estar em Vila Velha/ES, e que foram encontradas na residência do indiciado, no Rio de Janeiro/RJ”, anotou a juíza.

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