Coronavírus testa relevância das empresas

Coronavírus testa relevância das empresas

Cleber Martins*

06 de abril de 2020 | 04h00

Cleber Martins. FOTO: DIVULGAÇÃO

O novo coronavírus trouxe um desafio de gestão de crise à porta de todas as empresas. E um teste capcioso de reputação e sobrevivência.

Situações extremas revelam as fragilidades corporativas. No mundo conectado de hoje, as falhas e o despreparo são potencializados e expostos, em grau máximo e velocidade incontrolável.

As companhias que já enfrentaram momentos adversos sabem que crise, mesmo, é aquela que fere gravemente a reputação. É quando a sociedade questiona a sua função, a sua eficiência, a sua integridade.

O impacto brutal do novo coronavírus no mundo é, antes de tudo, um drama humano, de saúde pública, de vidas. Que traz a reboque uma série de turbulências econômicas e sociais.

Empresas que não entenderam todas as frentes dessa pandemia e não perceberam seu papel nisso tudo são portadoras de um outro vírus, também mortal: a irrelevância.

A crise no mundo corporativo também é pandêmica. Todas as companhias, de todos os tamanhos, lugares e setores, estão expostas ao mesmo risco _em muitos casos, que ameaça a própria sobrevivência do negócio.

E, como todos são instados a dar respostas para um mesmo contexto, a comparação torna-se inevitável. No mar de comunicados, procedimentos e dicas de RH que todos estão produzindo, as empresas precisam se perguntar se estão tomando atitudes concretas e demonstrando, na prática, preocupação legítima com todos os seus públicos, responsabilidade e respeito.

Além de fazer o certo e dar o exemplo, as companhias deveriam ter sempre em mente a busca da antecipação. Mapear e antever os desafios e tomar as iniciativas (laborais, financeiras, produtivas) com irremediável sentido de urgência. Estar preparado para os cenários de risco e saber se comunicar com eficiência e transparência com todos os públicos.

A crise da covid-19 tem nos mostrado como a informação correta e a comunicação transparente são instrumentos poderosos de resistência ao avanço da pandemia.

Mais do que reputação e a sobrevivência da empresa, está em jogo a vida dos cidadãos. Antecipar-se é responsabilidade de todos.

*Cleber Martins, sócio e diretor-geral da LLYC Brasil

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