Coronavírus, sob o ponto de vista conservador

Coronavírus, sob o ponto de vista conservador

Carla Zambelli*

17 de março de 2020 | 08h00

Carla Zambelli. FOTO: LUIS MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Fechamento de fronteiras em dezenas de países no mundo, restrições severas em países como França, Espanha e Itália. Pede-se que não se saia de casa. Como farão os médicos, enfermeiros, atendentes e auxiliares de limpeza dos hospitais? E as fábricas alimentícias ou farmacológicas? Quais são os serviços que devem parar e quais devem continuar?

Como ficam os que dependem financeiramente da movimentação de comércio, transporte, comunicação?

Todos que podem, devem ficar em casa. Há muitas atividades passíveis de serem realizadas à distância. Eu mesma liberei minha equipe para trabalhar em casa, em sistema de home office, verificando seus e-mails, as emendas parlamentares, o atendimento ao público via redes sociais. Nada ficará parado e eu estarei no Congresso para as votações.

Pessoas com doenças crônicas ou raras, diabéticos, hipertensos e idosos devem ser preservados dentre os que não possuem este perfil. Mas também há as crianças que foram liberadas das escolas e que precisam de alguém para estar em casa.

Discursos como o de Janaína Paschoal podem ter seus pontos de reflexão, mas inspiram o sentimento de catástrofe na população, de instabilidade governamental, além de contribuir para mais quedas na bolsa e alta do dólar, tirando o foco daquilo que é realmente importante: o momento exige cautela, serenidade e planejamento.

A bolsa de valores se move com a comunicação. Especulação e incertezas podem ser mais graves do que fatos concretos. Agentes econômicos ficam inseguros e o choque externo das bolsas mundiais geram reflexos no Brasil, com psicologia de pânico – nada saudável para o país.

Fala-se em medidas políticas para garantir a economia, como reformas tributárias, injeções de crédito para os que estão sofrendo com o impacto do novo coronavírus. Mais de R$149 bilhões foram liberados hoje pelo governo Bolsonaro para pagar 13º salário a idosos, socorrer empresas com problemas financeiros, desoneração de IPI e baixar taxas para importar materiais médicos, como máscaras e álcool gel.

Paulo Guedes pediu ao Congresso para acelerar a privatização da Eletrobrás, no valor de R$16 bilhões, que ajudará a liberar o pacote de medidas anunciado. Mas vamos além disso? Os presidentes do Legislativo criticaram a manifestação do último domingo e a atitude do Presidente em cumprimentar as pessoas em frente ao Planalto, além de subverterem as pautas das ruas, que eram pró governo e não contra as Instituições. Foram discursos contundentes com fundo de preocupação sobre a possível contaminação da população ao novo coronavírus, mas vindos de autoridades que não citam ou sequer devem saber dos números de mortes advindos do descaso com o povo brasileiro nos últimos anos.

Só em 2018 tivemos mais de 243 mil mortes de câncer – doença que cada vez mata mais e nada se discute no Congresso para trazer ao Brasil mais pesquisa e desenvolvimento, desburocratizar o setor e explorar a maior biodiversidade mundial que temos a nossa disposição.

No mesmo ano, mais de 34 mil mortes no trânsito, a maioria gerada por precária sinalização, pouca fiscalização, além da incapacidade e corrupção que havia no investimento de infraestrutura do país, que melhorou com a chegada do Ministro Tarcísio.

O mesmo para os quase 60 mil assassinatos antes da ascensão de Bolsonaro ao governo e da apresentação do Pacote Anticrime desenvolvido pelo Ministro Sérgio Moro, que faria diminuir a impunidade e, consequentemente, o número de homicídios no país – pacote este, totalmente desidratado pelo mesmo Congresso “preocupado” com as possíveis mortes advindas do novo coronavírus, mas vorazes ao tratorar a Lei de “Abuso de Autoridade”, que amedronta juízes, promotores e policiais a realizarem seus trabalhos em prol de uma sociedade mais segura.

E, para terminar este roll de indicadores que confrontam a ilegítima preocupação dos críticos da manifestação, também em 2018 morreram no Brasil quase 55 mil pessoas vítimas de doenças infecciosas e parasitárias. Alguma palavra sobre isso? Nenhum pio. Porque muitos dos que reclamam hoje do Governo Bolsonaro enriqueceram desviando recursos do sistema falido de saúde pública e são responsáveis diretos pelas mortes desnecessárias citadas nos últimos parágrafos.

Estes mesmos políticos nada falam sobre abrir mão do fundo partidário de quase R$1 bilhão no ano de 2020 e de mais de R$2 bilhões para o fundo eleitoral das disputas municipais deste mesmo ano. Por que não destinam estes R$3 bilhões para a contenção do novo coronavírus?

São tantas perguntas que ficarão sem respostas neste breve artigo, mas que espero poder gerar nos leitores um ponto de reflexão: o Governo Bolsonaro falha? Sim, todos falham. Mas estas falhas são insignificantes diante das catástrofes realizadas pelos governos de esquerda das últimas décadas. São ciscos perto dos erros do Congresso dos últimos meses, tentando derrubar o 1º governo que vem, de fato, reerguendo o Brasil e o conduzindo da maneira como os brasileiros merecem.

*Carla Zambelli, deputada federal (PSL-SP)

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