Coronavírus: leia a decisão que libera material apreendido com chineses para hospitais e policiais de São Paulo

Coronavírus: leia a decisão que libera material apreendido com chineses para hospitais e policiais de São Paulo

Decisão autoriza doação de milhares de máscaras, óculos de proteção, toucas, e frascos de álcool-gel sem origem comprovada que foram confiscados com o empresário Marcos Zheng e outros 13; testes para covid-19 foram devolvidos à empresa

Paulo Roberto Netto e Luiz Vassallo

16 de abril de 2020 | 13h56

A juíza Patrícia Álvares Cruz, do Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo), autorizou o envio de equipamentos de proteção individual (EPI) sem origem comprovada confiscados com o empresário Marcos Zheng, preso durante operação da Polícia Civil contra quadrilha suspeita de furtar 15 mil testes para o novo coronavírus. Nesta quinta, 16, agentes deflagraram buscas e apreensões em 22 endereços ligados à quadrilha e localizaram mais de 7 mil aventais.

A decisão atende parcialmente pedido do secretário de Saúde do governo Doria, José Henrique Germann Ferreira, que alegou as dificuldades de importação dos equipamentos e a contribuição que a destinação do material apreendido teria para ‘minimizar a ameaça à incolumidade física dos médicos, enfermeiros e demais servidores das equipes de saúde’.

Apesar da gestão estadual buscar o envio dos 15 mil testes para covid-19 apreendidos com Zheng, a juíza Patrícia Cruz apontou que os exames já foram entregues à empresa D&A Comercial Serviços Importação e Exportação, e não seria possível remetê-los aos hospitais.

A Secretaria de Saúde deverá receber 20.040 frascos de álcool-gel, 1.443 óculos de segurança, 21 mil máscaras de proteção, 1.200 macacões, 52.900 toucas sanfonadas, 450 máscaras de proteção triplas, 200 termômetros, 1.000 máscaras de proteção dupla e 139 galões de cinco litros de álcool-gel.

A Delegacia Geral de Polícia receberá 6.384 frascos de álcool-gel, 7500 máscaras de proteção e 139 galões de cinco litros de álcool-gel.

Imagem da Polícia recolhendo o material apreendido. Foto: Polícia Civil

A decisão também mantém na prisão Fu Zihong, Cleber Marcelino da Silva, Marcelo Martins da Silva, Hilmar José Duppre Júnior e Kawe Mycon Brito dos Santos – presos pela polícia Civil. Zihong foi quem assumiu ser o dono e a compra dos equipamentos de proteção. Ele é amigo de Marcos Zheng, presidente da Associação Shangai no Brasil, vice da Associação Chinesa no Brasil e suspeito de liderar a quadrilha.

Além dos materiais relacionados à prevenção e detecção do novo coronavírus, os policiais apreenderam armas de grosso calibre, como uma carabina calibre 40, uma espingarda calibre 12 e três pistolas calibre 38.

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