Coronavírus: impacto na economia já existe, mas a recuperação pode ser rápida

Coronavírus: impacto na economia já existe, mas a recuperação pode ser rápida

Jair Lemes*

11 de fevereiro de 2020 | 09h00

FOTO: NOEL CELIS/AFP

O avanço do coronavírus trouxe à tona especulações sobre os impactos negativos no cenário econômico mundial. A priori, seria muito possível afirmar que essa epidemia provocaria sérios impactos de curto prazo com rápida chance de recuperação a médio prazo, mas a verdade é que ninguém sabe ainda como será daqui para a frente.

Uma das justificativas para essa incerteza são os dados confusos e relatórios conflitantes. Isso significa que os cientistas não podem descartar o pior cenário, o que permite que informações sem fundamento e exageradas se propaguem. Na China, mais de 40 mil pessoas foram infectadas e o número de mortos já passa de 900. Além da Ásia, já existem casos confirmados na Europa, América do Norte e Oceania. No Brasil, ainda não há confirmação da doença, mas 11 casos suspeitos são monitorados pelo Ministério da Saúde. Nesse último final de semana, a Força Aérea Brasileira trouxe de volta os brasileiros que estavam no epicentro do surto, na cidade de Wuhan, na China.

Diante desse cenário de pandemia, o crescimento econômico da China no primeiro trimestre pode cair para apenas 2%. Antes do surto, a estimativa era de 6%. O país responde por quase um quinto da produção mundial e, por esse motivo, possui um impacto notável no crescimento global. Após o recesso do ano novo lunar, as bolsas de valores já registraram baixas expressivas de mais de 7%, o maior recuo diário desde 2015. Dados da agência Bloomberg mostram que, mesmo com as bolsas da China e de Hong Kong fechadas durante o feriado, as bolsas globais perderam, ao todo, US$ 1,5 trilhão por causa do avanço da doença.

A China tem o segundo maior PIB (Produto Interno Bruto) do planeta e uma desaceleração em sua economia afeta o mundo inteiro de forma incontestável. Os países que dependem muito das exportações para o país asiático, como o Brasil, já começam a sentir alguns efeitos. Grandes produtoras brasileiras de commodities, como a Vale, Petrobras, Gerdau, CSN e Suzano já tiveram o valor de mercado reduzido em R$ 42,3 bilhões. Outros setores também poderão ser impactados negativamente.

Mesmo com as incertezas na economia global, a história demonstra que a recuperação econômica também ocorre rapidamente na maioria desses casos. Em 2003, a China enfrentou uma batalha semelhante com o surto da SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave). Na época, o crescimento econômico chinês diminuiu acentuadamente no auge da epidemia, mas se recuperou rapidamente depois que foi contido. Essa e outras epidemias recentes reforçam a impressão de que os economistas não devem se preocupar excessivamente.

*Jair Lemes é mestre em Economia pela Université Pierre Mendès, em Saint-Martin-d’Hères, França. Especialista em investimentos, é membro do CFA Institute, cuja certificação foi chamada pelo Financial Times como “Padrão Ouro” para profissionais de investimento. É CEO da Brava Capital, na capital paulista

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