Coronavac: para quem nada tem, metade é o dobro!

Coronavac: para quem nada tem, metade é o dobro!

Bady Curi Neto*

19 de janeiro de 2021 | 10h00

Bady Curi Neto. FOTO: DIVULGAÇÃO

Diante da manifesta politização da covid-19, que deveria ser alvo de debates científicos e esclarecedores para a população brasileira sobre as perdas lastimáveis de vidas humanas, surge uma esperança no fim do túnel, a tão sonhada vacina.

Dúvidas, preconceitos e desinformações são difundidos por alguns políticos, no intuito claro e evidente de que corpos de seres humanos são apenas escadas para um palanque maior, eleitoral, o que é de todo vergonhoso e lamentável.

O surgimento da Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e fabricada pelo Instituto Butantan, foi revestido de preconceitos, por ser um laboratório de nacionalidade comunista, como se a eficiência da vacina dependesse da cor da bandeira do país, e não de dados científicos.

A população brasileira, por total desinformação, critica a eficácia geral de uma vacina acima de 50% contra um vírus devastador, mas acredita que vai ficar rica jogando em uma loteria, apostando um jogo de seis dezenas, com probabilidade de ganho de míseros 0,000002%.

Pergunta-se: esta dicotomia se deve a quê? Respondo: à crença, à esperança de ficar rico, à propaganda em volta dos jogos e, por óbvio, à desinformação.

É chegada a hora, mesmo que tardiamente, de o governo, e todos os seus entes da federação (União, Estado e município) esquecer das divergências político-partidárias e firmar uma campanha de esclarecimento da importância da vacinação em massa.

Apenas a título de esclarecimento, apesar de ser da área jurídica, mas em pesquisas e reportagens a respeito da Coronavac, verifica-se que os cálculos para chegar a uma eficiência geral de mais de 50% são complexos.

Na realidade, ao fazer o teste da eficácia da vacina (fase 3 da pesquisa), o laboratório ou o instituto que irão produzi-la dividem dois grupos de pessoas voluntárias com maior risco de contaminação pela covid-19. O primeiro grupo recebe um placebo, já o segundo recebe a vacina propriamente dita.

Do primeiro grupo, placebo (que não recebeu a vacina), 4.599 voluntários compunham um grupo, sendo que 167 indivíduos desenvolveram a doença, e 18,5% manifestaram de forma moderada e/ou grave.

Do segundo grupo (que recebera a vacina), 4.653 voluntários compunham grupo, sendo que 85 indivíduos desenvolveram a doença (50% do primeiro grupo), e 8% manifestaram de forma leve, com atendimento médico, mas sem precisar internação.

A eficácia é o resultado comparativo entre os dois grupos que, segundo cálculos matemáticos/ científicos, alcançam o porcentual de eficácia geral de 50,4%.

Destaca-se que no grupo que recebeu a vacina não houve sequer um caso de internação, apesar de ter um porcentual pequeno de indivíduos que contraíram a doença, mesmo que vacinados.

Em suma, o ideal seria que toda vacina tivesse 100% de eficácia geral, mas do ideal para o mundo real há uma distância abissal. Se a eficácia da vacina fosse apenas para evitar o agravamento da doença já seria altamente salutar para a população, mesmo que não imunizada.

Voltando ao título do artigo, para quem nada tem, metade é o dobro!

*Bady Curi Neto, advogado-fundador do Escritório Bady Curi Advocacia Empresarial, ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) e professor universitário

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.