Conversas telefônicas são evidências de obstrução à investigação, dizem procuradores da força-tarefa

Conversas telefônicas são evidências de obstrução à investigação, dizem procuradores da força-tarefa

Em manifesto lido na tarde desta quinta-feira, 17, em frente à Justiça Federal do Paraná, sede da Lava Jato, os 13 membros do Ministério Público Federal responsáveis por monitoramento de Lula repudiam tentativa de "amedrontar" autoridades e de "guerra subterrânea e desleal travada nas sombras, longe dos tribunais'

Ricardo Brandt e Julia Affonso

17 de março de 2016 | 15h18

foto deltan jfpr

O procurador da República Deltan Dallagnol, um dos coordenadores da força-tarefa da Operação Lava Jato, leu na tarde desta quinta-feira, 17, uma manifestação de repúdio “às tentativas de amedrontar” as autoridades e em defesa das investigações do maior escândalo de corrupção do Brasil. Ao lado de juízes federais, reunidos em frente à sede da Justiça Federal do Paraná, o procurador defendeu que as conversas telefônicas monitoradas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “constituem evidências de obstrução à investigação, em uma guerra subterrânea e desleal travada nas sombras, longe dos tribunais.”

“As tentativas de amedrontar Policiais Federais, Auditores da Receita Federal, Procuradores da República e o Juiz Federal Sérgio Moro devem ser repudiadas.  Os atentados à investigação revelam a extensão do abuso de poder e do descaso com o estado democrático de direito na República”, diz a manifestação assinada por 13 procuradores da República que integram a força-tarefa da Lava Jato.

“As conversas telefônicas constituem evidências de obstrução à investigação, em uma guerra subterrânea e desleal travada nas sombras, longe dos tribunais”, diz a nota.

 

LEIA A ÍNTEGRA DA MANIFESTAÇÃO DA FORÇA-TAREFA DA LAVA JATO EM CURITIBA

“Os Procuradores da República do caso Lava Jato em Curitiba têm o dever de esclarecer que as interceptações telefônicas foram legalmente determinadas pelo Juízo da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba.

As tentativas de amedrontar Policiais Federais, Auditores da Receita Federal, Procuradores da República e o Juiz Federal Sérgio Moro devem ser repudiadas.

Os atentados à investigação revelam a extensão do abuso de poder e do descaso com o estado democrático de direito na República.

As conversas telefônicas constituem evidências de obstrução à investigação, em uma guerra subterrânea e desleal travada nas sombras, longe dos tribunais.

O Estado Democrático não existe sem o Direito. Não há Direito sem um Poder Judiciário independente. Não há independência do Poder Judiciário se não forem respeitadas as suas decisões.

A força das investigações na Lava Jato deriva da busca da verdade e da Justiça, com base em princípios e regras compartilhados com a sociedade e estabelecidos na Constituição. O Ministério Público Brasileiro e a Justiça não se amedrontarão e darão fiel cumprimento à lei.

Todos os atos processuais da investigação Lava Jato são submetidos a diversas instâncias do Poder Judiciário, conforme o devido processo legal, e é essa a forma própria de discussão das investigações e das decisões.

Ressaltamos que as decisões judiciais foram proferidas a pedido do Ministério Público Federal, por seus Procuradores da República aqui presentes, os quais assumem publicamente a sua responsabilidade pela condução das investigações.

Por fim, reafirmamos nossa confiança nas instituições democráticas, no funcionamento do Poder Judiciário, no princípio Republicano e sobretudo no primado de que todos são iguais perante a Lei.

18/03/2016

Deltan Martinazzo Dallagnol, Antônio Carlos Welter, Carlos Fernando dos Santos Lima, Januário Paludo, Orlando Martello Junior, Athayde Ribeiro Costa, Diogo Castor de Mattos, Roberson Henrique Pozzobon, Paulo Roberto Galvão, Júlio Carlos Motta Noronha, Isabel Cristina Groba Vieira, Jerusa Burmann Viecili e Laura Gonçalves Tessler”

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