Conversas de Mônica

Conversas de Mônica

Em 'desespero' e sem retorno de Dilma, delatora conta que foi atrás do assessor da ex-presidente, Anderson Dorneles; ela entregou documentos à Lava Jato, como a imagem de uma mensagem

Julia Affonso, Luiz Vassallo, Rafael Moraes Moura, Breno Pires, Bernardo Gonzaga, Deivlin Vale* e Liana Costa

12 de maio de 2017 | 16h20

Para tentar corroborar as declarações que deu ao Ministério Público Federal em sua delação premiada, a empresária Monica Moura, mulher do marqueteiro das campanhas presidenciais do PT João Santana, entregou uma série de documentos à força-tarefa. Um deles é uma imagem de uma conversa com Larissa Dorneles, mulher de Anderson Dorneles, assessor da ex-presidente Dilma Rousseff.

A conversa foi registrada no 6º Tabelionato de Notas em Salvador em 23 de agosto de 2016.

Documento

Anderson era tratado como filho por Dilma. As mensagens foram trocadas entre 11h06 e 11h13.

A empresária pergunta em duas mensagens. “Oi querida, ta com Anderson? Pode mandar uma msg pra ele?”

“Posso sim”, respondeu Larissa. “Mando agora.”

Monica Moura diz que é urgente. “Ele vai entender o que eh.”

Às 11h11, a empresária escreve. “Pedir que avise os amigos que ficaram lá em casa pra ver se chegou meu presente. Mandei agora. Gostaria muito que respondesse agora.”

Larissa devolve. “Ok. Já vai ver.”

Monica relatou à força-tarefa da Lava Jato que tentava o contato com Anderson para obter um retorno de Dilma. Ela disse que entrou em ‘desespero’ quando foi informada do risco de ser presa com o marido.

Segundo ela, Dilma havia escrito por meio do canal secreto ‘Iolanda’: “Seu grande amigo está muito doente, os médicos consideram que o risco é máximo e o pior é que a esposa dele, que sempre tratou dele, agora também está doente com o mesmo risco. Os médicos acompanham dia e noite.’

“O médico era o Zé Eduardo (José Eduardo Cardozo, então ministro da Justiça)”, afirma Monica.

“Recebi essa notícia, aí eu desesperei.”

Diz ter exibido ao marido o texto gravado no Word. “Gravei o texto pra mostrar a João, pra João ver, e acabei me esquecendo de apagar. Tá lá, com a data do dia que eu fiz isso.”

Uma procuradora da força-tarefa indagou a Monica se ela entendeu que ia ser presa.

“Não, eu entendi que a coisa estava complicada. Isso foi em 19 de fevereiro. Aí passou o dia 20, comecei a procurar ela (Dilma) através do Anderson. Mandava recado, ‘preciso falar com o nosso amigo, avisa nosso amigo que eu mandei e-mail’. O rascunho estava lá o tempo todo e não apagava. Eu precisava de mais notícias.”

“Quando eu precisava (falar com Dilma), mandava mensagens pelo WhatsApp pra ele. Eu tenho as últimas. Ela (Dilma) não lia a minha resposta.”

Monica disse que a resposta para Dilma foi esta: ‘Existe uma forma desses médicos ajudarem o nosso amigo?’

“Foi esse e-mail que mandei pra ela (Dilma) e ela não respondia, não lia e não apagava.”

“Aí procurei a mulher dele (Anderson), eu conhecia, fala pro Anderson que eu preciso muito falar com ele, que nosso amigo que ele sabe quem é precisa responder aquela questão’. Isso está ali, tem duas ou três mensagens.”

A procuradora insistiu. “Vocês foram avisados que iam ser presos?”

“Que íamos ser presos, não.”

“Que tinha mandado de prisão?”

“Fomos, fomos avisados que tinha mandado, ‘foi visto mandado de prisão assinado em cima da mesa de alguém’.”

“Quem avisou?”

“Zé Eduardo.”

“Ela ligou pra vocês?”

“Não, não, não. Dessa vez foi assim, a gente recebeu e-mail dela (Dilma) que precisava de um telefone seguro pra falar. Ela tinha um telefone seguro no Alvorada. João falou com ela nesse telefone na noite do dia 21 de fevereiro, ou do dia 20. Fomos avisados que existia um mandado de prisão em cima da mesa, foi visto um mandado de prisão assinado já contra a gente. Não fizemos nada. Ficamos esperando. No dia 22 estourou a operação, a gente já estava esperando.”

*Sob supervisão de Fausto Macedo

https://www.youtube.com/edit?o=U&video_id=x4PLbEyN3x4

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