Controladoria aponta ‘prejuízos crescentes’ nos Correios

Controladoria aponta ‘prejuízos crescentes’ nos Correios

Relatório indica que sem a injeção de recursos por parte da União, no exercício de 2017, a empresa terá sua situação agravada

Julia Affonso e Fausto Macedo

15 Dezembro 2017 | 12h52

Foto: Hélvio Romero/Estadão

O Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU) divulgou nesta sexta-feira, 15, um relatório no qual aponta que ‘prejuízos crescentes’ nos Correios. O documento analisou a evolução econômico-financeira da empresa entre 2011 e 2016.

A CGU informou que durante este período os Correios apresentaram crescente degradação na sua capacidade de pagamento no longo prazo (liquidez), aumento do endividamento e da dependência de capitais de terceiros, e principalmente, redução drástica de sua rentabilidade, com a geração de prejuízos crescentes a partir de 2013. Nos seis exercícios, o Patrimônio Líquido da empresa reduziu aproximadamente 92,63%.

Documento

Segundo o relatório da CGU, houve entre 2011 e 2013 uma ‘elevada’ transferência de recursos para a União. No período, foram repassados, a título de dividendos e juros sobre capital próprio, um total de R$ 2,97 bilhões.

“Com relação ao último ponto, destaca-se que em 2013 os Correios registraram prejuízo de R$ 312,511 milhões. Contudo, foram transferidos dividendos para a União no valor de R$ 401,1 milhões, que levaram à redução drástica da capacidade de investimento da empresa e da sua viabilidade econômico-financeira”, informa o documento.

De acordo com o relatório, sem a injeção de recursos por parte da União, no exercício de 2017, a empresa irá apresentar Passivo a Descoberto, e por consequência, agravamento da atual situação. A conclusão da CGU é de que ‘se medidas efetivas não forem tomadas, no curto prazo, para ampliação da receita e redução dos custos, principalmente em relação aos Benefícios Pós-Emprego, a ECT irá se tornar gradativamente dependente de recursos transferidos pela União para o seu custeio’.

Em nota, a CGU afirma que o relatório ‘buscou identificar, nos últimos seis exercícios, os fatos que possam estar vinculados aos seguidos prejuízos contábeis; e realizar um diagnóstico que sirva de subsídio para o planejamento de futuras ações de controle na Unidade’.

A CGU informou que, em virtude do relatório, os Correios apresentaram um Plano de Medidas de Curto e Longo Prazos, para recuperação da sua sustentabilidade financeira, com metas de economia de recursos para os exercícios 2017 a 2020. A implementação destas ações e seus efetivos resultados serão monitorados constantemente pela Controladoria.

VEJA OS PRINCIPAIS FATORES QUE IMPACTARAM OS CORREIOS

– Redução da sua atividade econômica, com queda de 16,28% no volume anual de correspondências transportadas ao ano;

– Elevação vertiginosa do volume de indenizações, que causaram em 2016 prejuízo de R$ 201.749.206,63;

– Defasagem tarifária, que acarretaram, em julho de 2015, perdas de R$ 1,235 bilhões;

– Elevação dos custos com pessoal em 62,61%, chegando a R$ 12.351.333.130 em 2016;

– Elevação dos custos com benefício pós-emprego em 345,80%, chegando a R$ 410.366.000 em 2016;

– Elevação dos custos com insumos que, excluindo os referentes a despesa com “pessoal”, aumentaram 179,73%, chegando a R$ 5.343.898.000 em 2016;

– Redução nas aplicações financeiras, que caíram 66,01%, passando de R$ 5.993.293.000 para R$ 2.036.960.000; e

– Transferência elevada de recursos para a União nos exercícios de 2011, 2012 e 2013, nos quais foram repassados, a título de dividendos e juros sobre capital próprio, um total de R$ 2,97 bilhões.

Com relação ao último ponto, destaca-se que em 2013 os Correios registraram prejuízo de R$ 312.511.000. Contudo, foram transferidos dividendos para a União no valor de R$ 401.100.000, que levaram à redução drástica da capacidade de investimento da empresa e da sua viabilidade econômico-financeira.

COM A PALAVRA, OS CORREIOS

O presidente dos Correios, Guilherme Campos Júnior, afirmou que ‘a empresa está passando por um período muito difícil em todos esses anos’.

“Com a queda da atividade postal e necessidade de mudanças estruturais. Os prejuízos foram crescentes com R$ 2,1 bilhões em 2015 e R$ 1,5 bilhão em 2016. Estamos fazendo o enfrentamento com corte de custos, fazendo toda a lição de casa para recuperar a empresa. A política dá uma prioridade à encomenda, como a primeira grande alternativa à queda na atividade postal, tem mostrado que nós estamos batendo recordes e recordes, do final de novembro até hoje, no tratamento e na distribuição de encomenda. Houve ainda um PDI (Plano de Desligamento Incentivado) no fim do ano, com mais de seis mil desligamentos, uma economia anualizada de R$ 840 milhões.”

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