Controladora do consórcio SOMA admite ‘procedimentos incompatíveis’

Controladora do consórcio SOMA admite ‘procedimentos incompatíveis’

Em nota interna, Estre Ambiental comunicou afastamento de dois dirigentes e suspendeu comunicação, ‘seguindo orientação legal’, de funcionários com o sócio da empresa Wilson Quintella Filho, investigado na Operação Descarte, da Polícia Federal

Julia Affonso

08 Março 2018 | 17h44

Em comunicado interno, uma semana após a deflagração da Operação Descarte, a empresa Estre Ambiental admitiu ‘procedimentos incompatíveis’ e informou o afastamento de dois de seus dirigentes. A Estre controla a empresa CAVO, líder do consórcio SOMA, prestador de serviços de limpeza contratado pela Prefeitura de São Paulo, e alvo de investigação da Polícia Federal deflagrada em 1.º de fevereiro.

Documento

A Operação Descarte apura um esquema de lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada. Policiais federais e auditores fiscais da Receita identificaram que o consórcio SOMA usou botas, sapatenis, bonés, uniformes, tintas, sacos de lixo e detergentes para lavar R$ 200 milhões usando notas frias.

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O texto endereçado aos funcionários da Estre é assinado pelo CEO do Grupo Estre Sergio Pedreiro.

“Análises preliminares dos registros internos do consórcio SOMA apontaram a prática de procedimentos incompatíveis com o nosso código de ética e política de compliance, como, por exemplo, pagamento de faturas sem as necessárias comprovações de entregas de mercadorias e de serviços prestados”, afirma.

“De acordo com a diretriz de tolerância zero para condutas em desacordo com a Política de Integridade da Estre, a companhia decidiu afastar o diretor da área de coleta e limpeza urbana, André Meira, e o gerente financeiro do consórcio SOMA, Tercio Correia.”

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Além de afastar dois dirigentes, a Estre suspendeu ‘qualquer comunicação ou interação de sets executivos e profissionais com o sr. Wilson Quintella Filho’ – citado na delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa. Wilson Quintella Filho era o diretor-presidente da Estre Ambiental, responsável pela administração da empresa, segundo a Descarte. A Estre afirma que Wilson Quintella Filho deixou o Conselho de Administração em dezembro do ano passado.

“Também como medida de extrema cautela em razão de esclarecimentos que ainda não puderam ser aprofundados, a empresa decidiu, seguindo orientação legal, suspender qualquer comunicação ou interação de sets executivos e profissionais com o sr. Wilson Quintella Filho”, comunicou a Estre.

“A alta administração, apoiada pelo comitê independente de auditoria e por assessoria jurídica externa, prosseguirá avançando em todas as análises e assim avaliar os próximos passos. A Estre reforça seu compromisso com as melhores práticas de integridade e governança corporativa e com a completa colaboração com as autoridades.”

Em representação que originou a operação, a Polícia Federal pediu a prisão temporária de Wilson Quintella Filho. Na época, os investigadores apontaram que era ‘lícito concluir que se (Wilson Quintella Filho) trata da pessoa que tem, no mínimo, conhecimento do muitíssimo elevado repasse de valores para a estrutura criminosa dos outros seis representados’. A Justiça negou.

COM A PALAVRA, A ESTRE AMBIENTAL

A Estre Ambiental contratou consultorias especializadas e independentes para realizar auditoria com o objetivo de identificar possíveis falhas nos controles internos da companhia que tenham originado falta de recolhimento de impostos. Para garantir isenção na condução da auditoria, os gestores do Consórcio Soma foram afastados enquanto durarem as apurações. A empresa ressalta que não há presunção de responsabilidade prévia dos gestores. A Estre reitera que colabora com a Receita Federal fornecendo todas as informações disponíveis.

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