“Contra família criminosa não tem estatuto né?”, diz Luciana Genro a Cunha

“Contra família criminosa não tem estatuto né?”, diz Luciana Genro a Cunha

Suíça identificou contas do presidente da Câmara naquele país europeu; projeto de lei de deputados evangélicos ligados a Eduardo Cunha define "família" como núcleo formado por homem, mulher e seus descendentes

Julia Affonso e Mateus Coutinho

01 Outubro 2015 | 10h49

Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, citado por delator como recebedor de propina. Foto: André Dusek/Estadão

Eduardo Cunha. Foto: André Dusek/Estadão

A ex-deputada e ex-candidata à Presidência pelo PSOL Luciana Genro usou o Twitter na manhã desta quinta-feira, 1, para alfinetar o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Luciana Genro ligou o Estatuto da Família, projeto de deputados evangélicos ligados a Cunha, às suspeitas de corrupção que envolvem Cunha.

“As informações do MP da Suíça relatam contas em nome Eduardo Cunha e seus familiares. Contra família criminosa não tem estatuto né?”, disse Luciana Genro.

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Na quarta-feira, 30, a Suíça transferiu para o Brasil investigação criminal contra Cunha, denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato. Com a remessa das informações contra o peemedebista naquele país europeu, a Procuradoria-Geral da República, em Brasília, poderá investigá-lo e processá-lo. Eduardo Cunha teria recebido, na Suíça, propina relativa a contratos da Petrobrás.

Há uma semana, deputados da Comissão Especial do Estatuto da Família aprovaram relatório do deputado Diego Garcia (PHS-PR) sobre o projeto de lei que define “família” como núcleo formado por homem, mulher e seus descendentes – e exclui relações homoafetivas.

Quatro deputados se insurgiram contra o estatuto: Érika Kokay (PT-DF), Maria do Rosário (PT-RS), Glauber Braga (PSOL-RJ) e Bacelar (PTN-BA).

O texto agora vai a plenário. A bancada religiosa, grupo predominante na comissão, quer que a votação aconteça na semana de 21 de outubro, quando se celebra o Dia Nacional de Valorização da Família. Cabe ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ligado aos evangélicos, marcar a data da votação.

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