Contra ‘exploração eleitoral’, Moro muda interrogatório de Lula para novembro

Contra ‘exploração eleitoral’, Moro muda interrogatório de Lula para novembro

Juiz da Lava Jato remarca audiências do ex-presidente e de delatores na ação do sítio de Atibaia, inicialmente previstas para 27 de agosto e 11 de setembro

Julia Affonso e Fausto Macedo

15 de agosto de 2018 | 12h31

O depoimento de Lula a Moro em 10 de maio de 2017 na ação do triplex do Guarujá . Foto: Reprodução

O juiz federal Sérgio Moro decidiu nesta quarta-feira, 15, mudar a data do interrogatório do ex-presidente Lula e de outros 12 réus na ação do sítio de Atibaia. O magistrado da Operação Lava Jato afirmou que a alteração das audiências tem por objetivo ‘evitar a exploração eleitoral dos interrogatórios’.

Documento

As audiências estavam marcadas para datas entre 27 de agosto e 11 de setembro. Os interrogatórios agora devem ocorrer entre 5 e 14 de novembro.

Em seu despacho, Moro não cita o ex-presidente nominalmente, mas a ele se refere. “Um dos acusados foi condenado por corrupção e lavagem na ação penal 5046512-94.2016.4.04.7000 e encontra-se preso por ordem do Egrégio Tribunal Regional Federal da 4ª Região, tendo a medida sido mantida pelos Tribunais Superiores”, afirmou Moro, em alusão ao processo do triplex do Guarujá, que levou à condenação do petista a uma pena de 12 anos e um mês de reclusão.

“Apesar disso, o acusado apresenta-se como candidato à Presidência da República. Caberá ao Egrégio Tribunal Superior Eleitoral decidir a respeito.”

O magistrado prosseguiu. “A fim de evitar a exploração eleitoral dos interrogatórios, seja qual for a perspectiva, reputo oportuno redesignar as audiências.’

PT vai protocolar nesta quarta-feira, 15, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o registro da sexta candidatura de Lula à Presidência com uma grande manifestação popular em Brasília, ao mesmo tempo em que já prepara a substituição do ex-presidente. A estratégia de manter a candidatura de Lula – sentenciado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro na ação do triplex do Guarujá – já foi criticada por ministros do TSE e do Supremo Tribunal Federal, aos quais caberia o julgamento de eventuais recursos. A presidente do STF, Cármen Lúcia, afirmou nesta segunda-feira, 13, que a Lei da Ficha Limpa é uma conquista da sociedade.

Candidato à vice-presidente na chapa do PT  nas eleições 2018, o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad criticou a decisão do juiz. “É curioso que na oportunidade que Lula tem de se defender, é cassado o direito dele de falar antes das eleições? Por que ele não adiou os depoimentos das testemunhas de acusação também, que nada acrescentaram?”, questionou Haddad.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE LULA

“Um processo criminal jamais poderia ter seus atos orientados pelo calendário eleitoral. A mudança das datas dos depoimentos, porém, mostra que a questão eleitoral sempre esteve e está presente nas ações contra o ex-presidente Lula que tramitam em Curitiba”

CRISTIANO ZANIN MARTINS

Mais conteúdo sobre:

Lulaoperação Lava Jato