Contra delação, novo advogado de Loures diz que defesa será técnica

Contra delação, novo advogado de Loures diz que defesa será técnica

Cezar Bitencourt descarta neste momento acordo de colaboração, mas não afasta 'radicalmente' essa estratégia

Beatriz Bulla, de Brasília

29 de maio de 2017 | 20h58

Rodrigo Rocha Loures. Foto: Dida Sampaio/AE

A troca na defesa do deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) sinaliza, por enquanto, que o peemedebista não pretende fazer acordo de delação premiada. O novo advogado do parlamentar, Cezar Roberto Bitencourt, disse ao Estado que em regra é contra o uso da delação premiada e que vai trabalhar na “defesa técnica” do seu cliente.

“Vamos fazer a defesa técnica, jurídica, apontar as nulidades, a gravação imprestável. Temos muita tese jurídica”, disse Bitencourt ao Estado, descartando a possibilidade de um acordo de delação premiada neste momento.

Nesta segunda-feira, o criminalista José Luís de Oliveira Lima, que negocia delação premiada no âmbito da Lava Jato, renunciou à defesa de Loures ao alegar questões de ‘foro íntimo’. Na semana passada, investigadores teriam recebido sinais de que Loures estaria disposto a conversar com o Ministério Público.

O novo advogado do peemedebista disse ser contrário à delação premiada, mas não descarta ‘radicalmente’ a possibilidade caso seja importante para o cliente. “Eu sou contra a delação, especialmente contra a metodologia empregada na Lava Jato. Mas não afasto radicalmente a possibilidade se for importante para o cliente. Mas como regra sou contra”, afirmou o advogado.

Bitencourt deve questionar a validade das provas – inclusive a gravação realizada em ação controlada pelos investigadores que flagrou Loures recebendo uma mala com R$ 500 mil reais de diretor da JBS, que firmou acordo de delação premiada. “Aquela prova ilícita na origem (gravação do presidente Michel Temer) contamina a prova subsequente”, afirmou o advogado. Ele disse que deverá se inteirar dos detalhes do caso e conversar com Loures de forma mais alongada nesta terça-feira, 30, pois ainda não teve acesso à íntegra dos autos.

Rocha Loures foi afastado do cargo no último dia 18, por decisão do ministro Luiz Edson Fachin, que atendeu pedido da Procuradoria-Geral da República. Em áudio gravado pelo empresário Joesley Batista, da JBS, que deu início à delação premiada da empresa, o presidente Michel Temer indica Loures como seu interlocutor.

O deputado é investigado pelo recebimento de R$ 500 mil. O dinheiro, segundo os investigadores, é propina oferecida pela JBS em troca de influência em negócios de interesse da empresa, com intermediação junto ao CADE. A PGR pediu a prisão de Loures, mas o ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, rejeitou a solicitação. O caso pode ser levado ao plenário do Tribunal.

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